Da redação
O papa Leão XIV se reuniu nesta segunda-feira (8) com seis vítimas de abuso sexual cometido por membros do clero, na Nunciatura Apostólica de Madri, como parte de sua visita à Espanha. Segundo o pontífice, o objetivo é tornar a Igreja Católica “um lugar seguro”, promovendo mudanças para evitar novos casos.
O encontro, que durou quase uma hora e aconteceu a portas fechadas, era aguardado pelas vítimas e ocorreu no terceiro dia da visita do papa ao país. Durante a reunião, as vítimas apresentaram propostas para uma resposta mais eficaz da Igreja a esses casos, segundo informou o Vaticano.
Leão XIV prometeu que as propostas recebidas servirão de base para novos esforços de transformação na Igreja. Ele assegurou seu compromisso com um ambiente “seguro e espiritualmente saudável, onde as feridas encontrem conforto e cura”. Horas antes, classificou o abuso sexual no clero como “uma praga” ao falar com bispos espanhóis.
O papa defendeu o fortalecimento da prevenção e da cultura de cuidado, ressaltando que qualquer pessoa prejudicada deve receber “escuta sincera, acolhimento, proteção e caminhos reais para a cura”. Apesar da iniciativa, associações de vítimas criticaram a ausência de representantes, manifestando seu descontentamento diante da Nunciatura Apostólica.
Juan Cuatrecasas, porta-voz da associação Infância Roubada, declarou: “Acho que o papa precisa estar ciente de que está perdendo uma oportunidade de ouro para dialogar com as vítimas na Espanha e está saindo com uma visão muito tendenciosa”. Entre as ações recentes, a Igreja e o governo espanhol assinaram em março um acordo para indenização das vítimas.
De acordo com relatório do Defensor do Povo, mais de 200 mil menores podem ter sido vítimas de abuso desde 1940. Ainda durante a viagem, Leão XIV defendeu respostas internacionais à crise migratória e destacou o respeito à vida “desde a concepção”, em discurso no Congresso espanhol.





