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Para a ONU, a catástrofe de El Fasher, no Sudão, poderia ter sido evitada


Da redação

O alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Türk, classificou como “catástrofe evitável” as atrocidades cometidas durante a tomada de El Fasher, no Sudão, ressaltando ter alertado por mais de um ano sobre o risco de massacres na cidade sitiada. Em declaração ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na segunda-feira (9), Türk afirmou: “Documentamos anteriormente padrões desse tipo de atrocidade, especialmente durante a ofensiva das Forças de Apoio Rápido (FAR) para tomar o campo de Zamzam. A ameaça era evidente, mas nossos alertas foram ignorados”.

A tomada de El Fasher pelos paramilitares das FAR foi marcada, segundo relatos, por massacres, estupros e sequestros. “A responsabilidade por essas atrocidades recai inteiramente sobre as FAR, seus aliados e aqueles que os apoiam”, enfatizou Türk, cobrando mais ações da comunidade internacional.

Desde abril de 2023, a guerra entre o Exército regular e as FAR agravou a situação humanitária no Sudão, lançando mais de 21 milhões de pessoas na insegurança alimentar. Ambos os lados do conflito são acusados de cometer atrocidades no país.

Com a queda de El Fasher, último bastião do Exército em Darfur, os paramilitares das FAR ampliaram operações no Kordofan, região estratégica que liga áreas controladas pelo Exército no norte, leste e centro ao Darfur. Nas últimas duas semanas, Exército e aliados atacaram posições em Kadugli e Dilling, enquanto drones de ambos os lados continuam a matar e ferir civis.

Segundo Türk, em pouco mais de duas semanas, até 6 de fevereiro, cerca de 90 civis morreram e 142 ficaram feridos em ataques com drones realizados tanto pelas FAR quanto pelas Forças Armadas Sudanesas.