Da redação
Mulheres representam 11,5% da força de trabalho na construção civil brasileira, segundo dados da RAIS 2024, mas ocupam mais de 60% dos cargos de liderança no Sistema Confea/Crea. O Dia Internacional das Mulheres na Engenharia, celebrado em 23 de junho, evidencia conquistas e desafios para ampliar sua participação no setor.
Juliana Moreira, gerente de Segurança do Trabalho do Seconci-DF, credita sua escolha profissional à influência da família, repleta de engenheiros civis. “Meu pai, minha madrinha, tios e primos eram engenheiros civis e, de alguma forma, influenciaram minha escolha e serviram de inspiração ao longo da minha formação”, relata Juliana.
Mirelle Corrêa, ex-diretora do Seconci-DF, teve trajetória semelhante, inspirada pelo pai, engenheiro e ex-presidente do Seconci-DF. “Com certeza a pessoa mais marcante e incentivadora na minha carreira foi o meu pai, Deyr Corrêa”, afirma. A convivência familiar foi determinante para seu ingresso e permanência na engenharia.
Apesar dos avanços, desafios persistem. Mirelle relata episódios em que foi questionada sobre sua qualificação, especialmente no início da carreira, precisando apresentar repetidamente seu registro no CREA. “Muitos homens, mesmo não sendo engenheiros, não eram questionados”, destaca ela sobre o ambiente predominantemente masculino.
Juliana, por sua vez, avalia que teve seu trabalho valorizado com base na competência técnica, sem exigir comprovação adicional frente a colegas homens. Observa que o cenário se tornou mais diverso em relação ao início de sua trajetória, tanto em obras quanto em cargos de liderança e áreas técnicas especializadas.
As engenheiras reconhecem avanços gradativos, mas afirmam que o setor ainda enfrenta desafios referentes à equiparação salarial e aprimoramento legislativo. Como incentivo às jovens, recomendam autoconfiança e perseverança. “A engenharia precisa de profissionais competentes, comprometidos e preparados, independentemente do gênero”, conclui Juliana.





