A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), por meio da 5ª Delegacia de Polícia (Área Central), apurou um caso de crime patrimonial ocorrido em um consultório odontológico em Brasília. As investigações apontam que uma profissional da área da saúde foi dopada no próprio ambiente de trabalho e, enquanto apresentava sonolência, desmaios e lapsos de memória, teve valores transferidos indevidamente de sua conta bancária por meio de transações via Pix.
De acordo com a apuração, a vítima passou a desconfiar da situação após perceber que os episódios de mal-estar ocorriam exclusivamente no consultório, sem apresentar sintomas semelhantes em casa ou em outros locais. Os fatos ocorreram entre os dias 15 e 20 de abril de 2026 e coincidiram com movimentações bancárias não reconhecidas.
Ao verificar o extrato bancário, a vítima identificou diversas transferências não autorizadas que, somadas, totalizaram R$ 93 mil, além de uma tentativa frustrada de transferência adicional no valor de R$ 16 mil.
A investigação constatou que os valores foram inicialmente enviados para a conta de uma terceira pessoa e, posteriormente, repassados de forma parcelada à principal suspeita. Conforme documentos analisados, foram registradas transferências nos valores de R$ 8 mil, R$ 30 mil, R$ 15 mil e R$ 40 mil, todas oriundas da conta da vítima.
Durante as diligências, chamou a atenção dos investigadores a rotina da vítima no consultório. Ela costumava consumir água em uma garrafa própria e, ao esvaziá-la, solicitava à auxiliar que a reabastecesse. A partir desse detalhe, surgiu a suspeita de que a água poderia estar sendo adulterada.
No curso da investigação, a auxiliar — única funcionária do consultório e pessoa de confiança da vítima — confessou que colocava comprimidos de medicamento controlado na água da chefe. A investigada também admitiu que se aproveitava dos momentos em que a vítima estava sob efeito da substância para acessar o celular, utilizar a senha bancária e realizar as transferências.
Também foi verificado que a conta utilizada para receber os valores pertencia a uma conhecida da suspeita, a qual confirmou ter cedido a conta para o recebimento das transferências e posterior repasse. A PCDF apura o grau de participação da segunda envolvida, bem como o destino final do dinheiro subtraído.
Diante dos indícios reunidos, a 5ª DP representou ao Poder Judiciário pela expedição de mandados de busca e apreensão em endereços vinculados às investigadas, além do bloqueio de valores até o limite de R$ 93 mil, com o objetivo de recuperar o prejuízo suportado pela vítima.
A investigação segue em andamento para apurar se houve outros valores desviados, identificar bens eventualmente adquiridos com o montante subtraído e esclarecer a participação individual de cada envolvida. O caso é tratado, em tese, como roubo mediante violência imprópria — em razão da redução da capacidade de resistência da vítima mediante uso de substância — além de furto mediante fraude, quanto a eventuais transações realizadas sem dopagem.
Fonte: PCDF






