Da redação
Pelo menos 200 ingressos haviam sido vendidos quando Rafaela Azevedo, atriz e autora da peça “A Igreja da Fran”, recebeu mensagem informando que a apresentação no teatro Ópera de Arame, em Curitiba, não ocorreria. Segundo Rafaela, a produtora local alegou que a Prefeitura de Curitiba, proprietária do espaço, considerou o tema do espetáculo incompatível com cláusulas contratuais.
Em áudio recebido por Rafaela, uma produtora que trabalha para a DC Set Eventos Ltda., concessionária da Ópera de Arame, explicou que buscava novo local para a apresentação. Conforme o mesmo áudio, cláusula do contrato veta espetáculos com temas políticos ou religiosos, sob risco de ferirem a moral e os bons costumes previstos em lei.
O espetáculo, segundo Rafaela, critica a manipulação da fé por líderes religiosos e aborda passagens bíblicas com humor. Ela questiona o uso político das religiões, afirmando que “esse avanço do fundamentalismo religioso no Brasil é uma coisa muito séria” e que o país estaria mais próximo de uma teocracia do que de um Estado laico.
A Fundação Cultural de Curitiba, responsável pela política cultural do município, declarou em nota que não há censura e que não interfere na programação da Ópera de Arame, administrada por concessão privada desde 2012. A DC Set afirmou que o cancelamento decorreu de “questão contratual” e negou relação com o conteúdo da peça.




