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Perfis coordenados dominam discussão sobre tarifa de Trump a produtos brasileiros em grupos


Da redação

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a aplicação de tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. O governo Lula atribuiu o desgaste à articulação da família Bolsonaro em Washington, enquanto a oposição culpou Lula por um suposto isolamento comercial. Flávio Bolsonaro viajou ao país para falar na audiência do Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR).

Segundo monitoramento em tempo real da Palver, que analisou mais de 100 mil grupos de mensagens, mais de 80% das publicações sobre a tarifa partiram de perfis com comportamento coordenado ou automatizado. Apenas 1% dos usuários concentrou 32% do volume de mensagens sobre o tema, indicando atuação intensa de militantes e máquinas digitais.

No recorte geral dos dados, Flávio Bolsonaro apresenta 40% de aprovação contra 28% de aprovação de Luiz Inácio Lula da Silva. A análise apenas de usuários com comportamento identificado como orgânico revela um cenário diferente, com 31% de aprovação para Flávio e 30% para Lula. A imagem positiva do senador é impulsionada por altas taxas de mensagens coordenadas, que desaparecem quando se considera apenas debates reais.

A atribuição de responsabilidade pelo tarifaço também variou conforme o perfil do usuário. Entre os participantes orgânicos, Flávio foi responsabilizado em 49% das mensagens, enquanto Lula apareceu com 24%. Mais de 92% das mensagens que culpam Lula foram classificadas como coordenadas, segundo a Palver. O monitoramento demonstra que parte relevante da disputa narrativa ocorre por meio de disparos automatizados e militantes digitais, fenômeno que, conforme aponta a pesquisa Quaest, tende a se intensificar nas eleições.