Início Mundo Peritos alertam que sanções da UE contra acadêmicos afetam direitos humanos

Peritos alertam que sanções da UE contra acadêmicos afetam direitos humanos


Da redação

Especialistas das Nações Unidas alertaram, em comunicado divulgado na segunda-feira, sobre os efeitos negativos das sanções europeias impostas em decorrência do conflito na Ucrânia, que afetam diretamente profissionais do meio acadêmico ligados a universidades públicas russas. As medidas, previstas nos Regulamentos UE 2024/2642 e UE 2025/2568, restringem a participação desses profissionais em fóruns internacionais, debates acadêmicos de alto nível, publicação de livros e manutenção de blogues.

Segundo os peritos da ONU, as sanções baseiam-se no pressuposto de que opiniões expressas em ambiente acadêmico estariam alinhadas à posição oficial da Rússia. Eles afirmam que tais restrições provocam autocensura, limitam a publicação de trabalhos científicos, impedem o exercício pleno de atividades de ensino e reduzem o espaço acadêmico global.

No comunicado, os especialistas destacam que as justificativas para as sanções incluem críticas públicas a regimes de sanções unilaterais, análises sobre as causas do conflito na Ucrânia e debates sobre cooperação entre o Sul Global e a Rússia. Eles consideram que a intimidação, o assédio ou a estigmatização de acadêmicos por suas opiniões constitui violação da liberdade de expressão e do direito à livre investigação.

Os peritos também apontam consequências práticas das sanções, como exclusão de oportunidades de emprego, negação de acesso a serviços bancários, dificuldades para garantir padrão de vida digno e restrições à liberdade de circulação e outros direitos essenciais. Ressaltam que a liberdade acadêmica só pode ser limitada de forma proporcional, necessária e compatível com o interesse público e os direitos envolvidos.

Por fim, os especialistas da ONU solicitaram à União Europeia o levantamento de todas as medidas restritivas contra estudiosos, cientistas e analistas afetados, em respeito às obrigações internacionais de direitos humanos e à proteção da liberdade acadêmica.