Da redação
Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas anunciaram, nesta quinta-feira (2), que mantêm diálogo com o governo da República Democrática do Congo para tratar da “violência extrema cometida contra defensores dos direitos humanos” pelo grupo armado M23. Segundo comunicado divulgado em Genebra, os casos se concentram, principalmente, nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
Os especialistas expressaram horror diante da gravidade dos abusos relatados, que incluem tentativa de homicídio, sequestros sucessivos, tortura, violência sexual e ameaças de morte cometidas pelo M23. As principais vítimas são ativistas que, de forma pacífica, documentam violações, apoiam suas comunidades e denunciam os crimes.
Nos últimos três meses, dois indivíduos sequestrados em Uvira, Kivu do Sul, foram torturados após denunciarem expulsões forçadas de civis, permanecendo desaparecidos. Uma defensora de direitos da comunidade LGBT foi sequestrada várias vezes, torturada e segue sob perseguição intensa. Outro ativista, alvo de ameaças de morte, teve que se esconder depois que sua esposa foi sequestrada e agredida para revelar seu paradeiro.
Em Goma, um jovem ativista também foi ameaçado após publicar artigos sobre assassinatos de civis em áreas dominadas pelo M23. Segundo os especialistas, defensores de direitos humanos no leste do Congo “pagam um preço insuportável” e apelam para que o M23 cesse imediatamente os ataques, defendendo o respeito ao cessar-fogo e o fim das perseguições.
Os peritos destacam que, mesmo diante de violações cometidas por grupos armados, o Estado congolês tem o dever de prevenir, investigar e punir os crimes. Defensores dos direitos humanos, segundo eles, são essenciais para a justiça e a paz, e silenciá-los ameaça duramente as perspectivas de estabilidade na região.






