Da redação
O Peru realiza neste domingo (12) uma eleição marcada por instabilidade política, com o país prestes a escolher seu décimo presidente em apenas uma década, após sucessivas renúncias e impeachments. A apuração dos votos deve iniciar à meia-noite, envolvendo 27 milhões de eleitores que também definirão 130 deputados e 60 senadores para mandatos de cinco anos. O pleito reabre o Senado peruano após 33 anos, em meio ao retorno do sistema bicameral, instituído em 2024 mesmo depois de rejeitado em plebiscito em 2018.
A disputa presidencial conta com 35 candidatos — originalmente eram 36, mas um deles morreu em acidente automobilístico durante a campanha — e tem resultado imprevisível. Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, lidera as pesquisas com cerca de 15% das intenções de voto e é apontada como favorita para o segundo turno, marcado para 7 de junho. Apesar de já ter perdido os três últimos segundos turnos (2011, 2016 e 2021), Keiko enfrenta alta rejeição popular, dificultando sua vitória final.
Entre os demais concorrentes da direita, destacam-se Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima conhecido como “Porky”, e o humorista Carlos Álvarez. À esquerda, a disputa é ainda mais fragmentada, com candidatos como Roberto Sánchez, apoiado por Pedro Castillo, o ex-presidente do Peru, e Vladimir Cerrón, do Peru Livre. Economistas como Alfonso López-Chau e ex-prefeitos como Ricardo Belmont também figuram entre os favoritos. O professor Gustavo Menon, da USP, avalia que a fragmentação pode tornar a governabilidade difícil para o próximo presidente.
Menon também aponta que a eleição peruana reflete a disputa comercial entre Estados Unidos e China na América Latina, especialmente pelo porto de Chancay, cada vez mais integrado ao comércio asiático. Segundo ele, Keiko Fujimori sinaliza aproximação com os EUA em meio à política do ex-presidente Donald Trump de fortalecer a influência americana na região.
A crise política recente inclui a destituição consecutiva de presidentes: Pedro Castillo, eleito em 2021, foi preso por tentativa de dissolver o Congresso; sua vice, Dina Boluarte, também caiu após repressão violenta a protestos; e José Jerí e José María Balcázar Zelada assumiram em gestões interinas, reforçando a instabilidade e o protagonismo do Parlamento peruano.






