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Pesquisa da UnB avalia identidade territorial para Indicação Geográfica do café do DF


Da redação

Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) conduzem, desde 2023, um estudo para fundamentar cientificamente um futuro pedido de Indicação Geográfica (IG) para o café produzido no Distrito Federal. A iniciativa tem como objetivo destacar o produto no mercado internacional, agregando valor e reconhecimento, conforme critérios do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

Segundo a professora Marileusa Chiarello, da UnB, a IG reconhece territorialmente produtos associados à região de produção. Ela explica que existem dois modelos: Indicação de Procedência (IP), baseada na notoriedade histórica, e Denominação de Origem (DO), que exige comprovação técnica e científica de vínculo entre as características do produto e o território.

A IP é considerada um caminho mais acessível, pois depende da tradição e reputação do local, sem obrigatoriedade de provas científicas sobre as características sensoriais do produto. Já a DO requer evidências robustas, demonstrando que fatores como clima, solo e práticas agrícolas tornam o café do DF distinto. Ambas as etapas podem ser seguidas sucessivamente.

O levantamento iniciou-se com o mapeamento de produtores e análise das condições de cultivo. Dezessete lavouras foram escolhidas para coleta de amostras de solo e grão, avaliando aspectos físicos, químicos e sensoriais. Os resultados da safra de 2024 já foram enviados aos produtores. Uma nova análise, referente à safra de 2025, está em andamento.

Embora o estudo aponte potencial para cafés especiais no DF, ainda não há evidências suficientes para o reconhecimento formal da IG. Segundo a pesquisadora Lívia de Oliveira, será preciso comparar grãos do DF com os de outras regiões para atestar o chamado efeito de terroir. Relatórios consolidados devem ser entregues entre agosto e outubro de 2024.

A viabilidade do pedido à frente depende também da organização coletiva dos produtores. A associação Elo Rural, parceira da UnB, já trabalha na definição de padrões mínimos de produção e estruturação do caderno de especificação técnica exigido pelo Inpi. Novos associados precisam seguir diretrizes estabelecidas para garantir padronização e qualidade na produção local.