Da redação
O senador Flávio Bolsonaro apresentou queda nas intenções de voto após o caso envolvendo Daniel Vorcaro, conforme pesquisa Datafolha divulgada nesta semana. Os dados mostram Flávio recuando de 35% para 31% no primeiro turno das eleições presidenciais, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou vantagem de três para nove pontos no cenário de maior destaque.
O levantamento indica que, embora tenha perdido quatro pontos percentuais, Flávio Bolsonaro não teve seu desgaste capturado de maneira relevante por outros nomes da direita. Lula subiu apenas dois pontos no primeiro turno, sinalizando uma transferência limitada de votos do senador para o petista. O cenário reforça a existência de um vácuo entre candidaturas conservadoras.
Analistas políticos observam que parte dos eleitores conservadores demonstrou desconforto com a ligação entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, especialmente após a visita do senador ao empresário após sua soltura. Romeu Zema e Ronaldo Caiado não conseguiram capitalizar o desgaste de Flávio, e Michelle Bolsonaro manteve desempenho estável, sem crescimento no segundo turno.
A pesquisadora Horácio Lessa, da Liberty Consultoria, afirmou que “parte da direita foi pega de surpresa e ficou decepcionada com Flávio, especialmente pela visita a Vorcaro após a soltura”. Ele avalia que o eleitorado ainda está digerindo o episódio, o que explica a hesitação em migrar para outros nomes da direita.
Os números mostram ainda que Flávio Bolsonaro passou a liderar a rejeição nacional, subindo de 43% para 46%. Lula apresentou pequena oscilação negativa, indo de 47% para 45%. Apesar disso, o presidente segue distante de uma posição confortável na disputa pela reeleição, segundo o Datafolha.
O fenômeno batizado de “crise Dark Horse” atingiu o núcleo mais moderado do bolsonarismo, envolvendo setores de centro, do mercado e eleitores menos ideológicos. O Datafolha aponta que, até o momento, esse eleitorado aguarda uma nova liderança capaz de unir conservadorismo, oposição ao PT e menor desgaste pessoal, ainda inexistente no cenário de 2026.






