Da redação
Acidentes graves em rodovias federais brasileiras ocorrem, majoritariamente, em pistas simples, trechos retos e durante o dia, aponta levantamento da Fundação Dom Cabral com dados de 2018 a 2024. O estudo, baseado em registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e volume de tráfego do DNIT, destaca a combinação de infraestrutura precária, excesso de velocidade e colisões frontais, o tipo de acidente mais letal.
Segundo a pesquisa, após registrar o menor número de acidentes em 2020 (48.416), os índices voltaram a subir, chegando a 56.116 acidentes em 2024, o maior da série histórica. O ano também registrou 4.995 vítimas fatais e 15.916 feridos graves, os piores resultados do período analisado.
O professor Paulo Resende, diretor do Núcleo de Logística e Infraestrutura da Fundação Dom Cabral, atribui a severidade dos acidentes à predominância de pistas simples, que representam 83,5% dos 65,8 mil quilômetros das rodovias federais. “Quando ocorre uma ultrapassagem mal calculada, a consequência pode ser a colisão frontal, o tipo mais grave de acidente”, afirma. Ele ressalta que, nas pistas simples, a infraestrutura limitada potencializa comportamentos imprudentes.
O levantamento ressalta ainda o aumento da gravidade dos acidentes com motocicletas em trechos urbanos, como anéis viários e acessos às cidades, devido ao intenso conflito entre motos e veículos pesados. “Nesses locais, a taxa de feridos graves e vítimas fatais entre motociclistas é enorme”, destaca Resende.
Para o pesquisador, a redução da gravidade dos acidentes exige duplicação das rodovias, controle de acessos laterais, fiscalização de velocidade e políticas específicas para motociclistas. “A separação física entre fluxos reduz drasticamente o risco de colisão frontal. É uma responsabilidade do Estado como um todo”, conclui.





