Da redação
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou uma operação que desarticulou uma organização criminosa investigada por invasões não autorizadas ao sistema GETRAN, do Detran-DF, nesta semana em Brasília. A ação visa combater fraudes que teriam causado prejuízo de dezenas de milhões de reais ao erário.
Coordenada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), a investigação indica que o grupo operava fraudes em larga escala, como exclusão indevida de multas e transferências irregulares de frotas empresariais. A apuração se intensificou após denúncias sobre a transferência de veículos sem consentimento dos proprietários.
Os policiais identificaram o emprego de um aplicativo chamado internamente de “sistema de bypass”, supostamente desenvolvido pelo líder do grupo, especialista em engenharia de sistemas. Segundo o delegado João Guilherme, chefe da DRCC, a ferramenta permitia “automatizar operações ilícitas em uma velocidade centenas de vezes superior à ação humana”.
Com o acesso indevido ao sistema, os investigados realizavam baixa irregular de infrações, emplacamentos fraudulentos, regularizações indevidas de condutores e obtenção de financiamentos bancários com documentos adulterados, conforme explicado pelo delegado João Guilherme.
O Detran-DF colaborou ativamente com as investigações, fornecendo registros de acesso que possibilitaram identificar a origem das invasões. De acordo com a PCDF, a organização era composta por um núcleo técnico, articuladores de clientes e operadores financeiros responsáveis por ocultar valores, inclusive por meio de lavagem de dinheiro.
Na operação, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e quatro de busca e apreensão, além do bloqueio de contas bancárias e apreensão de veículos de luxo e equipamentos eletrônicos. Os investigados respondem por invasão de dispositivo informático, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas que podem superar 30 anos.



