Da redação
Um sobrado no Recanto das Emas, região administrativa do Distrito Federal, serviu como um dos principais pontos para escoamento de dinheiro desviado de aposentados, conforme a Polícia Federal. Empresas registradas no local, ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores e Empreendedores (Conafer) e à Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), são suspeitas de lavar R$ 304 milhões do total de R$ 708 milhões supostamente obtidos com descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Segundo a Polícia Federal, dez empresas funcionavam no endereço, apesar de apenas duas terem identificação visível na fachada. Entre os investigados, estão Cícero Marcelino Santos e Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, ligados à Conafer, e Lucineide dos Santos Oliveira, vinculada à AAB. Em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, Santos afirmou que lucrava “uns trocos” com os repasses e foi preso durante operação da PF. A CPMI apontou ainda uso deliberado de nomes empresariais semelhantes, com o objetivo de dificultar a fiscalização dos fluxos financeiros.
A Operação Sem Desconto encontrou indícios de organização criminosa estruturada na Conafer. O relatório final da Polícia Federal atribui à entidade, liderada por Carlos Roberto Ferreira Lopes, um prejuízo estimado de até R$ 6 bilhões aos beneficiários do INSS, em fraudes que envolveriam 48 pessoas indiciadas, incluindo ex-dirigentes do Instituto Nacional do Seguro Social e lobistas do setor. Foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda formal dos envolvidos, aquisição de veículos de luxo e a utilização de empresas de fachada controladas por familiares.
A investigação revelou que Conafer e AAB dividem sede no Setor Comercial Sul de Brasília e são alvo de processos administrativos pela Controladoria-Geral da União desde setembro do último ano. Apurações da CGU detectaram descontos ilegais em mais de 27 mil benefícios de pessoas já falecidas. Parte das operações mobilizou equipes em 17 estados e no Distrito Federal, resultando em prisões e apreensões. Os principais investigados foram intimados a prestar esclarecimentos, mas alguns optaram por permanecer em silêncio.





