Da redação
Em 14 de dezembro de 1972, o comandante da missão Apollo 17, Gene Cernan, se despediu da Lua com um discurso emocionado: “Partimos como chegamos e, se Deus quiser, como retornaremos, com paz e esperança para toda a humanidade”. Desde então, nenhum ser humano pisou novamente no solo lunar, já que as demais missões Apollo foram canceladas. Mais de 50 anos depois, a Nasa se prepara para lançar a missão Artemis II, programada para março, mas apenas fará um sobrevoo, não um pouso.
O longo hiato se deve à falta de vontade política contínua, apontam especialistas. “É preciso muita vontade política para enviar humanos à Lua”, afirmou Teasel Muir-Harmony, do Museu Smithsonian. Ao longo das décadas, mudanças de presidentes americanos redefiniram, interromperam e retomaram objetivos espaciais, alternando o foco entre voltar à Lua, construir a Estação Espacial Internacional ou explorar asteroides.
Além dos entraves políticos, os desafios técnicos permanecem altos. A distância e a complexidade tornam as missões arriscadas e caras: mais da metade dos pousos lunares falhou. Hoje, o programa Artemis utiliza equipamentos modernos, como a cápsula Orion, munida de tecnologia milhares de vezes superior à da era Apollo e mais conforto para os astronautas, incluindo banheiro privativo.
Os objetivos também mudaram. Conforme destaca Wayne Hale, ex-gerente da Nasa, o programa Apollo focou em “bandeiras e pegadas”. Agora, a meta é criar infraestrutura para uma presença humana contínua. “Os módulos de pouso devem fazer parte de um sistema maior com habitats na Lua”, disse Les Johnson, ex-chefe de tecnologia da Nasa.
A nova corrida lunar é marcada também pela competição com a China e cooperação internacional por meio dos Acordos de Artemis. “Eles criam uma estrutura de oportunidades e reforçam a ideia de que isso é para a humanidade, não apenas para uma nação”, afirmou Brian Odom, historiador-chefe da Nasa.






