Portugal reafirma proeminência na economia digital durante Cimeira no Porto


Da redação

Portugal reforça protagonismo global em cabos submarinos ao sediar, nesta segunda-feira, no Porto, a segunda Cimeira Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos. O evento conta com apoio da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e ocorre em um cenário onde 99% do tráfego mundial de internet depende dessa infraestrutura instalada no fundo do mar.

Sandra Maximiano, presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), destacou a posição estratégica de Portugal como corredor global de dados entre Europa, Américas e África. Ela citou cabos importantes com conexão direta ao país, como EllaLink (ligando ao Brasil), 2Africa, Medusa, Equiano e futuros projetos como Nuvem e Cabo Sol, estes últimos conectando Europa, Estados Unidos e Açores.

Maximiano, que também copreside o Grupo Consultivo da UIT sobre Resiliência de Cabos Submarinos, enfatizou a necessidade de rotas alternativas para atender ao aumento inédito de tráfego gerado por data centers de inteligência artificial. “Mais de 98% da conectividade internacional é sustentada por cabos submarinos; há urgência em garantir maior capacidade, rotas diretas e pontos de amarração estratégicos, com redes mais resilientes e redundância”, afirmou.

Falhas nos cabos são atribuídas principalmente a atividades marítimas como pesca e ancoragem (70%), além de fatores ambientais (10%), incluindo terremotos e até mordidas de tubarão. Maximiano alertou ainda para riscos de sabotagem e espionagem, defendendo regulamentações mais rigorosas e uma maior cooperação internacional para rápida reparação dos cabos danificados.

Com destaque para o projeto “revolucionário” Timor-Leste South Submarine Cable, com 607 km instalados em Díli em 2024, Portugal apoia outros países lusófonos, como Cabo Verde, Moçambique e Angola, por meio de capacitação e tecnologia. A inovação inclui cabos “smart” com sensores que identificam mudanças climáticas e tsunamis, contribuindo para avanços científicos e maior proteção da infraestrutura digital.