Da redação
A Câmara dos Deputados registra atualmente parlamentares com 82 profissões diferentes, incluindo advogados, psicanalistas, músico, veterinário e paraquedista, mas nenhum matemático. Ironia à parte, o momento atual exige habilidade com números, já que a “janela partidária” — período em que deputados podem trocar de partido sem risco de perder o mandato — abriu nesta quinta-feira (5) e vai até 4 de abril. O prazo é decisivo para quem pretende disputar as eleições de outubro.
A intensa movimentação nos bastidores envolve a expectativa de que pelo menos 10% do Congresso mude de partido. Em razão do fluxo elevado, a Câmara adotou sessões totalmente remotas e o Senado já opera em ritmo mais lento, com senadores priorizando campanhas. As trocas são motivadas por cálculos eleitorais regionais e nacionais, com destaque para o movimento de parlamentares do centrão para o PL, de olho na associação com a família Bolsonaro.
No Senado, as mudanças também visam projeção política nos estados. O senador Efraim Filho decidiu migrar para o PL para disputar o Governo da Paraíba, enquanto Alan Rick se filiou ao Republicanos para concorrer ao Governo do Acre. Desde o início da legislatura, quase 10% dos deputados já haviam mudado de sigla, com Republicanos, PSD e PP entre os que mais cresceram, enquanto o PL de Bolsonaro perdeu 12 parlamentares.
O cientista político Murilo Medeiros afirma que reformas como a cláusula de desempenho e o fim das coligações proporcionais fortalecem os grandes partidos. Segundo ele, migrar para legendas maiores oferece melhores condições eleitorais. No cafezinho do plenário, as contas envolvem o quociente eleitoral e estratégias individuais para garantir o mandato.
Outro aspecto central é a distribuição do fundo eleitoral. Partidos como União Brasil e PP usam os recursos públicos como atrativo para compor suas chapas. Em Minas Gerais, o deputado Nikolas Ferreira (PL) impôs critérios ideológicos para novas filiações, priorizando nomes alinhados à direita e à campanha de Flávio Bolsonaro, o que atrapalha a entrada de políticos do centro.







