Da redação
A presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, pediu nesta terça-feira, 2 de outubro de 2026, ao Parlamento Europeu que a União Europeia assuma liderança na defesa da Carta das Nações Unidas, do sistema internacional e da verdade. Em discurso em Estrasburgo, Baerbock destacou a atual “crescente instabilidade global” e os ataques ao multilateralismo, citando conflitos na Venezuela, Irã, Groenlândia, Ucrânia, Gaza e Sudão.
Baerbock declarou que a ordem internacional “não está apenas sob pressão, mas sob ataque”, e defendeu que, quando a ONU é mais necessária, muitos dos responsáveis pela preservação da paz estão se afastando ou atacando a organização. A líder da Assembleia Geral apelou para uma aliança entre regiões – África, Américas, Ásia, Pacífico e Europa – para fortalecer a Carta da ONU, estimulando o compromisso europeu.
Ela alertou para o uso de notícias falsas e manipulação informativa, frequente nas redes sociais, parlamentos e até na Assembleia Geral, como instrumentos de poder político. Baerbock sugeriu que a UE utilize seu mercado integrado para apoiar iniciativas de governança digital e inteligência artificial da ONU. Destacou ainda o impacto dos deepfakes, afirmando que 99% destas imagens têm como alvo mulheres, configurando “ataques sistemáticos”.
Ao relembrar a resposta europeia à invasão da Ucrânia, Baerbock apontou a necessidade de união e compromisso internacional, reforçando que a guerra no país não era apenas uma questão europeia, mas de toda a ordem internacional. Ressaltou o apoio da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em ampliar acordos comerciais estratégicos e apontou o potencial transformador dessas parcerias para a paz e o desenvolvimento sustentável.
Por fim, Baerbock defendeu uma reforma da ONU, com maior envolvimento europeu, revisão das regras financeiras e pagamento em dia das contribuições. Ela enfatizou a importância de uma liderança inclusiva e encorajou a candidatura de mulheres para o cargo de Secretário-Geral da ONU, lembrando que não há desenvolvimento sem paz, nem paz sem respeito aos direitos humanos.








