Por Alex Blau Blau
Caso envolvendo Alexandre Ramagem expõe impasse entre autoridades brasileiras e norte-americanas após prisão migratória e decisão de expulsão de delegado da PF
A detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, seguida de sua liberação dois dias depois, desencadeou uma crise diplomática entre Brasil e governo norte-americano. O episódio envolve ainda a determinação de saída de um delegado da Polícia Federal que atuava no país em cooperação com autoridades locais.
Ramagem deixou o Brasil em setembro do ano passado, pouco antes de uma condenação relacionada ao caso da chamada trama golpista no Supremo Tribunal Federal. Desde então, ele passou a viver em território norte-americano e apresentou um pedido de asilo, que ainda está em análise.
No início de abril deste ano, ele foi detido em Orlando por agentes de imigração. Segundo informações iniciais, a abordagem ocorreu na rua e a prisão foi motivada por irregularidades no status migratório, incluindo a situação de visto vencido. Após a detenção, foi encaminhado a um centro de custódia na Flórida, onde permaneceu por dois dias.
Em 15 de abril, houve a liberação administrativa do ex-deputado. Após sair da custódia, ele divulgou um vídeo em redes sociais no qual agradeceu às autoridades envolvidas no processo.
A situação ganhou novo desdobramento na segunda feira, 20 de abril, quando o governo norte-americano determinou que o delegado brasileiro responsável por atuar em cooperação com forças de segurança dos Estados Unidos deixasse o país. Uma substituta foi designada para a função.
O profissional atuava em missão oficial em Miami desde março de 2023, com foco em cooperação internacional e apoio à localização de foragidos da Justiça brasileira. A permanência dele havia sido prorrogada em 2025 por mais um ano.
Segundo relatos, a Polícia Federal e o Ministério das Relações Exteriores não foram formalmente comunicados previamente sobre a decisão de expulsão.
O caso também repercutiu no cenário político brasileiro. Durante viagem à Europa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou o episódio e mencionou a possibilidade de adotar medidas baseadas no princípio da reciprocidade, sem detalhar eventuais ações.
A sequência de acontecimentos ampliou o clima de tensão entre as autoridades dos dois países, especialmente diante do processo migratório ainda em andamento envolvendo o ex-deputado e das decisões recentes relacionadas à cooperação policial internacional.






