Início Ciência e tecnologia ProÁfrica financiará projetos sobre doenças tropicais, mudanças climáticas e inteligência artificial

ProÁfrica financiará projetos sobre doenças tropicais, mudanças climáticas e inteligência artificial


Da redação

O Brasil lidera mundialmente em diversidade de espécies de anfíbios e peixes de água doce e está entre os cinco países com maior número de aves, mamíferos e répteis. O mapeamento dessas espécies, que ocorre de maneira contínua em várias regiões do país, é considerado essencial para o monitoramento científico.

Pesquisadores destacam que o monitoramento permite identificar padrões de migração, reprodução e ocupação de habitats, além de fornecer informações valiosas sobre processos como a polinização, que impactam diretamente na produção de frutos. Thais Condez, do Instituto Nacional da Mata Atlântica, reforça que a compreensão desses dados também é importante para a saúde humana, já que a redução da biodiversidade pode aumentar o risco de contato com agentes transmissores de doenças.

Os registros de espécies realizados em campo podem incluir fotografias, gravação de sons, análise de pegadas, identificação de fezes e coleta de materiais tanto de animais quanto de plantas. Leonardo Moreira, pesquisador do Instituto de Pesquisa do Pantanal, observa que espécies migratórias são mais difíceis de serem detectadas. Segundo ele, “em muitos casos, os pesquisadores enfrentam dificuldades em dizer se determinada espécie passou ou permanece na região”.

A participação da comunidade, conhecida como ciência cidadã, tem crescido e corresponde agora a quase metade dos registros disponíveis. De acordo com o IBGE, 49,83% das ocorrências vêm da população, que frequentemente colabora com registros fotográficos. “A imagem é uma informação super importante, que mostra que determinada espécie ocorre naquela área, ou que, pelo menos, passa por ali em determinada época do ano”, destaca Moreira.

Com auxílio de sistemas como o SiBBr, dados nacionais e internacionais são conectados e facilitam pesquisas em diferentes escalas. Satélites como o Amazônia-1B também contribuem ao orientar ações de fiscalização e planejamento, cruzando informações de movimentação de espécies com áreas sob risco ambiental.

Segundo o IBGE, os grupos com maior número absoluto de registros no Brasil em 2025 são aves, plantas e artrópodes. O maior incremento em relação a 2022 foi observado nos grupos de fungos, com aumento de 176,6%, mamíferos (155%) e peixes (139,9%), evidenciando o avanço do mapeamento no país.