Da redação
O Ministério Público do Maranhão solicitou ao Tribunal de Justiça o afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT), por suspeitas de lavagem de dinheiro, movimentações financeiras atípicas e crimes contra a administração pública. O pedido foi protocolado pelo procurador-geral de Justiça, Danilo José de Castro Ferreira.
Segundo a investigação, Camarão teria usado parentes e policiais de sua segurança para captar R$ 6,3 milhões, além de destinar outros R$ 4,7 milhões à compra de imóveis de luxo em São Luís. A Procuradoria afirma que o vice-governador se beneficiou de uma rede de laranjas para ocultar transferências milionárias incompatíveis com sua renda declarada.
Felipe Camarão, em nota, condenou o vazamento da investigação, afirmou nunca ter tido acesso ao processo e declarou não aceitar “perseguição política travestida de atuação institucional”. Ele classificou o caso como “exposição seletiva e constrangimento público” e apontou possível proximidade entre o procurador-geral e Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão, adversário político.
O pedido de afastamento ocorre às vésperas do fim do prazo de descompatibilização, em 4 de abril, o que pode abrir caminho para o governador Carlos Brandão (sem partido) renunciar e disputar o Senado. Brandão, rompido com Camarão, lançou o sobrinho Orleans Brandão (MDB) como candidato ao governo.
A crise escancara o racha entre os ex-aliados de Flávio Dino, hoje ministro do STF. A base de Lula está dividida entre Felipe Camarão, Orleans Brandão e o prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), agravando a disputa interna do PT no Maranhão.







