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Produtora de “Dark Horse” subcontratou empresa de acusado de integrar PCC em SP


Da redação

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), dirigido pela empresária Karina Gama, contratou a Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda., de Alex Leandro Bispo dos Santos, para instalar pontos de wi-fi em favelas das zonas oeste e sul de São Paulo, em acordo firmado em julho de 2025. A iniciativa integra um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura municipal.

Órgãos de inteligência da polícia apontam Santos como membro relevante do PCC. Possuindo sentença de 34 anos, ele soma três condenações por roubo, tendo permanecido em 13 presídios. A Favela Conectada foi subcontratada pelo ICB por até R$ 12 milhões, com pagamento efetivo de R$ 2 milhões. A defesa nega vínculo com a facção.

A Polícia Civil apura suspeitas de desvio do contrato do ICB para a produção do filme “Dark Horse”, que tem Karina Gama como produtora. Ela nega irregularidades e apresenta documentos em sua defesa. O instituto afirma desconhecer qualquer ligação da empresa contratada com organizações criminosas e diz não ter identificado impedimento legal para a contratação.

O advogado de Alex Santos, Eugênio Malavasi, afirmou que seu cliente jamais se declarou membro do PCC e nega envolvimento com o grupo. Sobre o caso de feminicídio, processo pelo qual Santos foi preso no fim de 2025, a defesa argumenta que a vítima teria se atirado. Santos já foi investigado por sequestro-relâmpago em 2003.

O ICB declarou que a escolha da Favela Conectada considerou critérios técnicos e experiência prévia em comunidades. Inicialmente, a meta previa 2.000 pontos de wi-fi, mas, após readequação da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, a empresa ficou responsável por 908 pontos. Os valores pagos não foram divulgados.

A Prefeitura de São Paulo informa que não há vínculo contratual direto com a Favela Conectada, e que sua relação jurídica ocorre apenas com o ICB. Segundo a administração municipal, não há irregularidades confirmadas nas investigações em andamento e contratos com fornecedores suspeitos já foram rompidos em outras situações.