Da redação
O professor Lee Lin-Shan, docente da Faculdade de Engenharia Eletrônica e Informática da Universidade de Taiwan, defende que o Vaticano, por sua autoridade moral global, lidere iniciativas para frear a competição acelerada pelo desenvolvimento da inteligência artificial, buscando soluções compartilhadas diante dos desafios éticos e sociais apresentados pela tecnologia.
Segundo Lee, a inteligência artificial resulta do acúmulo da sabedoria humana e do esforço coletivo, e seu avanço rápido provoca impactos graves na sociedade. O professor alerta que a corrida global pelo domínio da IA assemelha-se a uma guerra, com nações e empresas buscando a primazia tecnológica, o que dificulta acordos sobre freios ao progresso acelerado, já que “ninguém quer parar, dando aos outros a chance de vencer”.
Lee afirma que os profissionais da área tentam mitigar impactos negativos promovendo interpretações éticas, confiabilidade e controle sobre os sistemas, mas esbarram em desafios internacionais e interculturais. Ele propõe que governos legislem e cobrem impostos mais altos das indústrias que lucram com IA para financiar políticas sociais, como auxílio aos desempregados, embora reconheça que essa solução pode reduzir a competitividade dos países.
Reconhecido como “uma estrela da ciência na Ásia Oriental” pela revista Nature, Lee inovou ao desenvolver tecnologias para transcrição e leitura em voz alta do mandarim por máquinas, base para aplicativos atuais. A entrevista ocorreu por ocasião do lançamento da encíclica “Magnifica humanitas” do Papa Leão XIV, em que temas como o poder tecnológico e a ética do desenvolvimento científico são discutidos.




