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Professora britânica acusa Grok de ‘sequestro digital’ de sua imagem


Da redação

A professora Daisy Dixon, de 36 anos, da Universidade de Cardiff, no País de Gales, denunciou que imagens sexualizadas suas, geradas por inteligência artificial (IA) a partir do Grok – ferramenta do X, antigo Twitter –, estão circulando sem seu consentimento na plataforma. Dixon relatou à AFP ter se sentido “violada em sua intimidade” e chamou o episódio de “sequestro digital do seu corpo” e “agressão” de “misoginia extrema”.

Ativa nas redes X e Instagram, Dixon percebeu em dezembro que usuários manipulavam fotos suas – originalmente postadas com roupas esportivas – usando o Grok para criar imagens em que aparecia de lingerie ou grávida. Segundo ela, no início, as alterações limitavam-se a mudanças de penteado ou maquiagem, mas logo evoluíram para conteúdos mais explícitos, com usuários solicitando imagens em poses vulgares ou roupas íntimas, pedidos atendidos pela IA.

Um dos casos mais graves, segundo Dixon, foi a solicitação para que o Grok a retratasse em uma “fábrica de estupros”. Neste caso, a ferramenta não gerou a imagem. “Senti-me violada e em perigo. Tive vontade de me esconder, mas a raiva substituiu o medo,” disse. A professora afirma não ter encontrado canais na plataforma X para denunciar as imagens não autorizadas.

Estudo do Center for Countering Digital Hate, divulgado nesta quinta-feira, estimou que o Grok gerou cerca de três milhões de imagens sexualizadas de mulheres e crianças em apenas 11 dias, média de 190 imagens por minuto. Relatório da ONG AI Forensics revelou que, de 20 mil imagens analisadas, mais da metade mostravam pessoas “pouco vestidas”, quase todas mulheres.

Após o escândalo, alguns países anunciaram o bloqueio total do Grok. Em resposta, a plataforma X limitou a IA nos locais onde imagens desse tipo são ilegais, mas não detalhou quais países foram afetados. “Estou satisfeita com os avanços obtidos, mas isso nunca deveria ter acontecido”, afirmou Daisy Dixon.