Iniciativa oferece visitas mediadas gratuitas a escolas públicas e instituições sociais; projeto segue até 30 de maio no Museu Nacional da República, com intérprete de Libras e foco na democratização da arte contemporânea
Antes mesmo do encerramento da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República, o Programa Educativo Sesc-DF realizou visitas mediadas com mais de 3.100 pessoas, a maioria crianças e adolescentes.
A proposta, que segue até o dia 30 de maio, tem como objetivo central fortalecer as iniciativas de democratização do acesso à arte contemporânea e potencializar os processos educativos no Distrito Federal. O projeto integra as ações do Sesc Cultural que, mesmo com o espaço físico ainda não concluído, vem promovendo uma série de atividades voltadas ao exercício do direito à arte e à cultura para todos.
O estudante do 9º ano do EduSesc Gama Raj Lima Oliveira, de 14 anos, foi um dos participantes das visitas mediadas. Essa foi a primeira vez que ele visitou um museu. “Gostei muito”, disse o garoto que ficou impressionado com a quantidade de cores e formas expostas no espaço.
Por meio da mediação, Raj conectou uma das obras da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo com a própria vida. “A obra que mais remete à minha vida são as obras do barro dentro do cimento. Essa obra representa as origens, o início de tudo, o futuro mudando o passado. E eu moro em área rural, lá a gente usa muito o barro. Então, isso está no meu cotidiano”, contou. O estudante referia-se à obra “Brasilidades” (2025), do artista visual e arte-educador Moisés Patrício, criador de trabalhos que lidam com elementos da cultura latina e afro-brasileira.
“Quando a gente tem centros culturais, a gente não acessa só o espaço físico, a gente acessa outras possibilidades de construção de mundo que podem dialogar com os espaços culturais que a gente tem e com os acessos culturais que a gente tem e às vezes não reconhece como. E quando a gente faz esse encontro, esse diálogo, a gente também revê o nosso lugar e pensa outras possibilidades”, explica a educadora Janaína Azevedo, integrante do Projeto Educativo Sesc-DF.
Para a diretora de Programas Sociais do Sesc-DF, Cíntia Gontijo de Rezende, o Programa Educativo vai além do objetivo de democratizar o acesso e aprofundar a experiência estética em uma exposição de arte. “A gente não sonha com aquilo que a gente não conhece. O Sesc proporciona isso através da arte, da cultura, do turismo, com os projetos que levam as crianças a conhecerem a capital. Essa possibilidade de conhecer é que faz com que a gente possa sonhar”, afirma.
Escolas públicas e instituições sociais que quiserem participar do Programa Educativo Sesc-DF poderão solicitar ônibus e visitas mediadas à itinerância da 36ª Bienal de São Paulo no Museu Nacional da República até dia 30 de maio, pelo email agendamentosesccultural@sescdf.com.br.
As mediações são realizadas por profissionais especializados, com presença de intérprete de libras, de terça-feira a domingo, das 9h às 18h30. O processo é conduzido a partir de metodologias de diálogos e participação, promovendo escuta ativa, construção coletiva de sentido e desenvolvimento do pensamento crítico, respeitando os diferentes perfis e repertórios dos públicos atendidos.
36ª Bienal de SP
Intitulada Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, a 36ª Bienal de São Paulo se inspira no poema “Da calma e do silêncio”, de Conceição Evaristo. Com curadoria de Bonaventure Soh Bejeng Ndikung e André Pitol, a proposta é repensar a humanidade como verbo, uma prática viva, em um mundo que exige reimaginar as relações, as assimetrias e a escuta como bases de convivência.
Fonte: Sesc-DF




