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Programa irá desenvolver turismo em regiões administrativas do DF

Iniciativa vai beneficiar, em um primeiro momento, as regiões de Ceilândia, São Sebastião e Planaltina, e será coordenada pela Sebrae no DF em parceria com o Instituto BRB

O Sebrae no Distrito Federal e o Instituto BRB lançaram, na semana passada, o Programa Turismo Fora Eixos – Conectando Pessoas e Lugares. A iniciativa ocorreu em um seminário realizado na região central de Brasília, contou com apoio da Embratur e do Sesi Lab e tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento sociocultural das regiões administrativas do Distrito Federal, a partir da valorização de territórios, diversidade cultural e espaços de resistência.

Diná Ferraz, diretora técnica do Sebrae no DF, abriu o evento de lançamento comentando a importância de desenvolver a economia sociocultural das regiões de Brasília, estimulando o crescimento econômico por meio da cadeia de turismo. “Nós temos hoje 35 regiões administrativas no Distrito Federal e elas precisam mais do que nunca de estímulos para o crescimento e desenvolvimento econômico. O turismo é uma ferramenta para que isso seja possível e não pode ficar concentrado apenas na região do Plano Piloto. Ceilândia, Taguatinga, Guará e todas as outras regiões têm cultura, música, artistas, gastronomia de qualidade e características próprias que não podem ficar escondidas. Nosso DF tem muito a mostrar”, assegurou a diretora.

Leila Republicano, presidente do Instituto BRB, também enfatizou a valorização da diversidade e riqueza cultural nas regiões do Distrito Federal. Ela destacou a importância do braço social do Banco de Brasília estar empenhado em iniciativas que incentivem a expressão cultural, musical e artística da região do DF e expressou confiança e gratidão pela oportunidade de participar desse projeto inspirador. “Estamos juntos vivenciando todas as necessidades para valorizar a cultura e a arte de Brasília”, afirmou ela.

Nathália Hallack, analista da Gerência de Negócios em Rede do Sebrae no Distrito Federal, avançou com a programação e apresentou detalhes do funcionamento da iniciativa de fomento. Ela esclareceu que o programa compreenderá três fases distintas. A primeira consistiu na realização do evento de lançamento. Agora, as ações serão continuadas com uma imersão em cada um dos territórios para construir o place branding, além do desenvolvimento de um “Guia Afetivo”, elaborado de forma participativa, a fim de refletir o sentimento e o pertencimento da população local em relação ao seu território.

A segunda etapa abarcará, ainda, o desenvolvimento de um documento orientador intitulado “Visão de Futuro”, projetado para captar os anseios e desejos da população em relação ao seu local dentro do contexto do turismo e da economia criativa, vislumbrando uma perspectiva de médio e longo prazo, que servirá como guia para futuras intervenções e parcerias. Por fim, a terceira fase do programa prevê a entrega desses materiais e documentos à população do DF e aos parceiros estratégicos, convidando-os a se unir na execução das ações delineadas no documento “Visão de Futuro”.

A proposta da coordenação do programa é, inicialmente, concentrar esforços no desenvolvimento do turismo nas regiões de Ceilândia, São Sebastião e Planaltina. A seleção dessas áreas foi baseada em sua vocação natural para o turismo e no histórico de envolvimento e iniciativas da comunidade com a atividade. Dessa forma, as ações estarão voltadas para regiões que já possuíam experiência e protagonismo em iniciativas relacionadas ao turismo. “A ideia é começar a desenvolver o turismo nas regiões administrativas a partir desse recorte. No entanto, nossa intenção é expandir a promoção de ações, incorporando novas narrativas, segmentos, grupos e outros territórios. “, pontuou a analista do Sebrae no DF.

Durante a programação do evento, foram discutidos conteúdos relevantes, apresentados por especialistas convidados, estabelecendo um diálogo enriquecedor com o escopo das ações que serão realizadas nas próximas etapas do programa.

A coordenadora de Afroturismo, Diversidade e Povos Indígenas da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), Tânia Neres, esmiuçou, durante o evento, a estratégia atual de trabalho da agência para promover o turismo fora do país. Ela lembrou que o Brasil possui uma diversidade natural, cultural e histórica como poucos países no mundo, e que isso tem sido determinante para quebrar estereótipos, garantindo que a publicidade e o marketing reflitam a verdadeira diversidade da população brasileira.

A consultora sênior em Turismo, Economia Criativa, Redes de Cooperação e Desenvolvimento Territorial, Karina Zapata, foi outra especialista a compartilhar conhecimentos e experiências durante o lançamento do programa. Ela comentou sobre criatividade dentro do segmento de turismo, falou sobre cultura e incentivou a necessidade de olhar as potências e não apenas as carências de uma região, desafiando os presentes a criarem uma lógica de fazer turismo. “O turismo criativo possibilita o absurdo, o inédito”, pontuou ela.

Karina também salientou o papel da cultura, elemento que, segundo ela, gera massa crítica, coragem, muda comportamento e gera caráter, não podendo, de forma alguma, ser tratada como algo supérfluo.

A especialista apresentou aos participantes do evento a história da Recria – Rede Nacional de Turismo Criativo, uma comunidade que conecta e fortalece vivências criativas e inovadoras com foco no desenvolvimento das pessoas, do ambiente e da cultura local. A iniciativa foi criada em 2017, em Recife, e está presente em todo o Brasil, contribuindo para o desenvolvimento local e para o protagonismo dos moradores nas atividades oferecidas – uma mistura dos conceitos de turismo criativo e de base comunitária.

Por fim, o fundador e sócio da Diáspora.Black, uma startup de impacto social criada em 2016 com o objetivo de promover experiências de turismo e acomodação para negros e ofertadas por negros, falou ao público sobre a sua trajetória profissional e os aspectos que o levaram a criar sua ideia de negócio. Carlos Humberto foi detalhista em sua apresentação, contando desde as mobilizações que realizava para as praias do Rio de Janeiro, quando ainda era criança, até a percepção de que pessoas negras enfrentavam racismo no mercado de turismo. A ideia da startup logo ganhou forma e hoje se destaca como o maior portal de vendas de afroturismo do Brasil.

Empreendedores do setor de turismo e economia criativa do Distrito Federal estiveram presentes no evento, incluindo Bianca D’aya, bacharel em Turismo e idealizadora da Me Leva Cerrado, uma agência fundada em 2019 com enfoque na promoção de passeios afroturísticos, culturais, gastronômicos, fotográficos, universitários e pedagógicos. Um dos projetos da agência é o “Brasília Negra”, que foi criado para revelar a história afrodescendente da capital e conta com visitas a locais como a Praça dos Orixás, Museu Vivo da Memória Candanga, entre outros.

D’aya, como é mais conhecida dentro do universo do turismo, elogiou a iniciativa do Sebrae em parceria com o Instituto BRB e revelou otimismo para que cada vez mais pessoas possam conhecer espaços diferentes na capital federal. “Brasília é costumeiramente rotulada como uma cidade política e muitas pessoas veem isso como um indicativo de que a cidade não tem muito o que oferecer. É importantíssimo divulgar novos lugares para que as pessoas conheçam e frequentem espaços diferentes em nossa cidade. Esse programa vai ajudar nesse processo de descoberta”, contou.

Fonte: Agência Sebrae