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Projeto do Instituto Alana incentiva homens a apoiar dignidade menstrual no Brasil


Da redação

Quatro em cada dez meninas brasileiras deixam de frequentar a escola todos os meses devido a fortes cólicas menstruais, segundo pesquisa encomendada pelo Instituto Alana. O estudo, divulgado em maio, revelou que a ausência está associada à dor intensa, falta de recursos para absorventes e questões relacionadas à dignidade menstrual.

De acordo com o levantamento, mulheres adultas perdem, em média, 10,8 horas de trabalho por semana pelos mesmos motivos. As estatísticas foram debatidas em reuniões realizadas em Brasília com representantes dos Três Poderes. O Instituto Alana destaca a necessidade de políticas públicas e mudança de percepção social para enfrentar o problema.

Durante a Conferência dos Estados-Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, em Nova Iorque, o CEO do Instituto Alana, Pedro Hartung, afirmou que a dor feminina frequentemente é subestimada por fatores socioculturais e pelo tabu em torno da menstruação. Para ele, “homens têm responsabilidade na criação deste estigma”.

Hartung ainda explicou que muitos homens, inclusive legisladores, desconhecem a realidade das dificuldades enfrentadas por meninas e mulheres, destacando a importância do diálogo e da informação. O Alana argumenta que a naturalização da dor menstruativa priva as mulheres da dignidade menstrual e do acesso adequado a produtos de higiene e acolhimento.

No final de maio, o Instituto lançou um projeto prevendo o investimento de US$ 60 milhões até 2040 para fortalecer políticas públicas, sendo mais de US$ 12 milhões já destinados a parcerias com o governo brasileiro. A iniciativa busca integrar o tema ao ensino fundamental, melhorar o apoio social e reduzir o estigma.

A pesquisa verificou ainda que, entre meninas negras e pobres, a falta de recursos para lidar com a menstruação é quase o dobro. Muitas vivenciam a menarca antes dos 11 anos sem orientação adequada. O tema segue subnotificado em serviços de saúde, segundo o estudo, motivando ações em cooperação com agências da ONU.