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Com bancada pequena, PSOL ganha mais destaque no STF do que na Câmara

Da redação do Conectado ao Poder

Com apenas 13 deputados, PSOL busca destaque através de ações no Supremo.

Com apenas 13 deputados, o PSOL tem se destacado mais no Supremo Tribunal Federal (STF) do que na Câmara dos Deputados. Desde o início da atual legislatura em 2023, o partido apresentou propostas consideradas de pouca relevância, como a designação de agosto como o mês de combate à desigualdade. Por outro lado, suas ações no STF têm gerado grandes repercussões políticas.

Recentemente, o PSOL questionou a legalidade da decisão do Congresso Nacional que derrubou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) estabelecido pelo governo federal. Além disso, o partido também apresentou uma ação contestando a constitucionalidade do orçamento secreto, levando o ministro Flávio Dino a restringir o pagamento de emendas parlamentares e exigir transparência nas transferências de recursos.

Outro tema debatido pelo PSOL no STF envolve a resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe a utilização da assistolia fetal para interrupção de gestações acima de 22 semanas em casos de estupro. O ministro Alexandre de Moraes deferiu uma liminar que suspendeu a validade dessa norma, alinhando-se com a pauta do partido.

Além disso, o PSOL questionou a interpretação constitucional que atribui às Forças Armadas um poder moderador em conflitos entre os Poderes. Entretanto, essa ação foi arquivada por questões técnicas. Em outra ação semelhante proposta pelo PDT, o STF julgou favoravelmente ao pedido.

A movimentação do PSOL no STF tem causado desconforto entre a cúpula do centrão, que considera limitar o direito dos partidos de contestar decisões legislativas no tribunal. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é um dos proponentes dessa iniciativa, que pode ser apresentada como uma proposta de emenda à Constituição.

Essa proposta poderia restringir o acesso do PSOL e de partidos menores como o Novo, que também veem essa ação como um risco à democracia. “Impedir que partidos registrados recorram ao STF é institucionalizar o monopólio das maiorias”, afirma Eduardo Ribeiro, presidente do Novo.

Por sua vez, o deputado Pastor Henrique Vieira, do PSOL, defende que seu partido opera no Judiciário como uma resposta às dificuldades encontradas no Legislativo, controlado majoritariamente pelo centrão e influenciado pela extrema direita.

O cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da FGV, observa que o uso do Judiciário por partidos minoritários é comum para viabilizar pautas importantes, embora ressalte a necessidade de cautela ao recorrer ao Judiciário diante de derrotas no Congresso.

A atuação do PSOL no STF, portanto, reflete uma estratégia para contornar as dificuldades no Legislativo e buscar garantir direitos e avanços sociais, mesmo em um cenário de forte polarização política.