Da redação
O Partido dos Trabalhadores (PT) está consolidando uma estratégia que coloca o enfrentamento às big techs no centro da campanha para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2026. Nas últimas semanas, Lula fez discursos duros contra as redes sociais em três eventos, chamando-as de “podridão” e criticando hábitos digitais. As falas, segundo resolução partidária aprovada em dezembro de 2025, refletem um plano central para as eleições, focando na regulação das plataformas digitais e na defesa da soberania nacional.
Entre as declarações, Lula afirmou em tom irônico: “Eu não carrego celular. Em vez de ficar carregando celular na mão, eu prefiro coçar outras coisas”. Em outro momento, alertou sobre a inteligência artificial: “Se preparem, porque a podridão não está nem começando”, e criticou o vício no celular: “Vocês vivem no celular. Ao invés de olhar para a cara da mulher e conversar, fica no celular”. O presidente e membros do PT, como Éden Valadares, secretário nacional de Comunicação, vêm usando o termo “colonialismo digital” para descrever a atuação das grandes plataformas no Brasil.
A resolução do PT aponta que não haverá eleição sem interferência externa, citando pressão internacional para desregulamentação das big techs e ameaças à soberania digital. O documento defende um regime robusto de transparência, auditorias independentes e moderação responsável. Propõe ainda o desenvolvimento de estruturas tecnológicas nacionais, com incentivos à pesquisa em inteligência artificial aberta e apoio a empresas, universidades e startups brasileiras.
No campo judicial, o PT intensificou ações contra as big techs e adversários políticos. Em dezembro de 2025, acionou o STF e o TSE após perfis de esquerda sumirem do Instagram e Facebook durante a votação do PL da Dosimetria. Já em janeiro, o partido pediu investigação e possível banimento do assistente de IA Grok por gerar imagens falsas envolvendo crianças. Além disso, o deputado Rogério Correia acionou a AGU contra Nikolas Ferreira, acusando-o de difundir desinformação sobre o Pix.
Para o PT, a regulação das big techs e o fortalecimento da soberania digital são decisivos para proteger o processo eleitoral. A legenda acredita que algoritmos das plataformas favorecem a extrema-direita e defende medidas para garantir transparência, combate à desinformação e autonomia tecnológica do Brasil.






