Da redação
Vinte anos antes de a Acadêmicos de Niterói desfilar na Sapucaí em homenagem ao presidente Lula (PT), o PT entrou na Justiça para impedir um desfile semelhante em São Paulo. Em fevereiro de 2006, o então líder da bancada petista na Câmara Municipal de São Paulo, Arselino Tatto, acionou o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) na tentativa de barrar a apresentação da escola de samba Leandro de Itaquera, que planejava homenagear pré-candidatos do PSDB à Presidência.
A alegoria prevista levaria bonecos gigantes do então governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito José Serra (PSDB), ambos possíveis candidatos à presidência em 2006. O desfile também destacaria as obras de rebaixamento da calha do Tietê, vitrine eleitoral de Alckmin. O presidente da escola, Leandro Alves Martins, havia sido candidato derrotado do PSDB a vereador.
Tatto alegou que a homenagem seria uma forma de “promoção pessoal de políticos e autoridades”. O pedido de liminar foi negado pela juíza Márcia Cardoso, da 11ª Vara da Fazenda Pública, que defendeu a liberdade de expressão artística, considerando a ação baseada em presunções.
Durante o desfile, os bonecos dos tucanos vieram logo após um carro representando a parada do orgulho gay. A Leandro de Itaquera acabou sendo rebaixada naquele ano. Posteriormente, o patrocínio de R$ 1,5 milhão do banco estatal Nossa Caixa à Liga das Escolas de Samba gerou nova controvérsia, superando o investimento publicitário do banco em 2005.
Procurado, Arselino Tatto afirmou que a situação de 2006 difere do caso atual, pois, segundo ele, houve envolvimento de tucanos nas escolhas da escola paulista. Em relação a Lula, garantiu que não houve interferência federal. “O Lula procurou a CGU, se informou direitinho… tivemos garantia jurídica de que estava tudo bem, e foi bonito”, disse Tatto.








