Da redação
Quase quatro entregadores por dia reportaram casos de violência ao iFood nos últimos três anos, conforme dados divulgados pela empresa. Entre junho de 2023 e maio deste ano, foram contabilizadas 3.967 ocorrências de discriminação, ameaças, agressões físicas, violência verbal e violência sexual durante o expediente.
A discriminação correspondeu à maioria dos relatos, somando 1.720 registros, à frente de ameaças, com 1.189 casos, e agressões físicas, que chegaram a 860. Segundo o iFood, as ocorrências envolveram clientes, estabelecimentos parceiros ou terceiros. O estado de São Paulo lidera em número de registros, com 1.154, seguido pelo Rio de Janeiro, com 603, e Minas Gerais, com 205.
O entregador Marcos Felipe, conhecido como Nenzada, relatou ter sido perseguido e atropelado por um motorista após uma discussão. Ele afirmou ter recebido apoio jurídico e psicológico do iFood, além de ser ressarcido pelos danos. Alexandre Mendes, outro entregador, declarou ter sido acusado injustamente de furto por uma cliente, embora o registro fotográfico comprovasse a entrega, tendo que buscar sua própria defesa.
De acordo com Maria Cecília Lemos, professora e doutora em direito do UDF Centro Universitário, agressões durante o serviço são consideradas juridicamente acidentes de trabalho, sendo obrigatório o seguro para acidentes pela plataforma. Ela explica que outros direitos dependem do vínculo empregatício ou da condição de contribuinte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do trabalhador, e que as indenizações podem incluir custos médicos, lucros cessantes e reparação por dano psicológico. O iFood informou que 1.308 atendimentos jurídicos, psicológicos ou socioassistenciais foram realizados em três anos, e outras empresas, como 99 e Keeta, também ampliaram mecanismos de suporte e segurança para entregadores.





