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Queixas de violência contra mulheres jornalistas dobram nas delegacias desde 2020


Da redação

Jornalistas e comunicadoras públicas enfrentam aumento expressivo na violência online desde 2020, inclusive com denúncias em delegacias e postos de polícia duplicando no período. Os dados constam de estudo divulgado na véspera do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em 3 de maio, evidenciando riscos e consequências para mulheres em todo o mundo.

O relatório, financiado pela União Europeia e encomendado pela ONU Mulheres em parceria com universidades e entidades internacionais, traz informações preocupantes sobre as formas atuais desse tipo de violência. Entre os problemas relatados, destacam-se o compartilhamento não consensual de imagens, incluindo conteúdo íntimo, que atinge 12% das entrevistadas, e a disseminação de “deepfakes”, relatada por 6%.

Além disso, cerca de um terço das participantes informou ter recebido mensagens digitais com investidas sexuais não solicitadas. A pesquisa indica que os ataques costumam ser deliberados e coordenados, afetando diretamente a credibilidade e a reputação das profissionais, provocando o chamado silenciamento na vida pública e estímulo à autocensura.

De acordo com o levantamento, 41% das mulheres entrevistadas adotam autocensura nas redes sociais para evitar abusos, e 19% agem assim em seu trabalho profissional. Entre jornalistas e profissionais da mídia, 45% relataram autocensura em redes sociais no último ano, um aumento de 50% em relação a 2020. Quase um quarto desse grupo foi diagnosticado com ansiedade ou depressão relacionada ao ambiente digital hostil.

A pesquisa revela ainda fragilidades na legislação: segundo o Banco Mundial, menos de 40% dos países possuem leis específicas para proteger mulheres de assédio ou perseguição cibernética. Isso deixa 44% das mulheres e meninas globalmente, um contingente de cerca de 1,8 bilhão de pessoas, sem garantias legais contra esse tipo de violência.

Outra tendência observada é o aumento na busca por responsabilização dos agressores, com 22% das mulheres em 2025 recorrendo à polícia em caso de violência online, comparado a 11% em 2020. Além disso, quase 14% já tomaram medidas legais, contra 8% em 2020, conforme salientado no relatório assinado por especialistas internacionais como Julie Posetti, Kaylee Williams e Lea Hellmueller.