Da redação
As últimas eleições presidenciais do Brasil, em 2022, registraram o resultado mais equilibrado desde a redemocratização. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu com 50,9% dos votos válidos, superando Jair Bolsonaro (PL) por pouco mais de 2 milhões de votos. Quatro anos depois, o país se prepara para novas eleições em meio à manutenção da forte polarização política. No entanto, um estudo recente da organização More in Common revelou que 54% do eleitorado não se identificam integralmente com polos progressistas ou conservadores.
A pesquisa, intitulada “O Brasil Invisível”, entrevistou mais de 10 mil pessoas e identificou seis perfis de eleitores. Entre eles, dois grupos de destaque são os desengajados e os cautelosos, cada um representando 27% dos eleitores. Essa maioria silenciosa desconfia do sistema político, evita confrontos morais e prioriza temas práticos, como trabalho, segurança e serviços públicos, sem preferências partidárias definidas.
O levantamento também mostra que os conservadores somam 21% do eleitorado e valorizam ordem, família e religiosidade, sendo menos mobilizados que os patriotas indignados (6%), porém mais numerosos. À esquerda, militantes progressistas são 5%, enquanto a esquerda tradicional reúne 14%. Os segmentos mais à esquerda têm maior escolaridade, renda e presença de brancos, mas mostra divergências internas sobre questões como direitos humanos.
Os desengajados aparecem como o grupo mais pobre e com menor escolaridade; 65% deles têm renda familiar inferior a R$ 5 mil e apenas 6% possuem ensino superior. Em 2022, 30% desses eleitores votaram em branco, nulo ou se abstiveram. Apesar de 72% deles se identificarem como conservadores e 46% não se declararem nem petistas nem bolsonaristas, esse grupo prioriza estabilidade econômica, serviços públicos e combate à pobreza.
Segundo Márcio Coimbra, presidente do Instituto Monitor da Democracia, o chamado “Brasil invisível” deve ser decisivo nas próximas eleições, privilegiando candidatos focados em gestão e soluções práticas. Para ele, a fadiga do eleitor frente à polarização pode estimular uma fragmentação do cenário político, dando mais espaço à busca por eficiência administrativa e afastando o debate de embates ideológicos.






