Da redação
Às vésperas do início da campanha eleitoral, um tema estrutural corre o risco de ser ignorado no debate público: o modelo das emendas parlamentares. Apesar da relevância, o assunto não deve figurar entre as prioridades dos candidatos, ainda que, em Brasília, seja consenso que o atual formato se tornará insustentável a curto prazo. “O ajuste virá ‘pela dor’”, afirmam fontes nos bastidores do Congresso.
O orçamento discricionário — parcela em que o Executivo pode decidir sobre os gastos — está cada vez mais reduzido. O motivo é a pressão das despesas obrigatórias e a expansão contínua das transferências para o Congresso, realizadas sem critérios claros e transparência evidente.
Com esse cenário, o próximo governo terá um Executivo e seus ministros cada vez mais dependentes do Parlamento para gerir recursos públicos. Segundo lideranças políticas ouvidas sob reserva, a distribuição atual das verbas pode comprometer a autonomia do poder Executivo.
“Qual poder da República, afinal, está suprimindo os demais?”, questionou uma liderança política à coluna, pedindo anonimato para evitar atritos com colegas em pleno ano eleitoral.
O silêncio dos candidatos sobre o tema indica a dificuldade em enfrentar uma questão considerada delicada e impopular às vésperas de uma eleição marcada por rejeições mútuas.





