Da redação
O empresário Pedro Rezende, 30 anos (nome fictício), começou a fumar narguilé aos 13 anos em um hookah lounge próximo à escola e, aos 16, migrou para o cigarro enquanto estudava na Inglaterra. Hoje, enfrenta dificuldades para abandonar o vício. “O que falta é tomar a decisão de forma definitiva, com firmeza. Enquanto essa decisão não vem, o hábito continua. Acredito que, se fosse mais estimulado a procurar tratamento, talvez tivesse sucesso”, afirma. Para apoiar quem deseja parar de fumar, a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) oferece 80 pontos de atendimento gratuitos, abertos a adolescentes, adultos e idosos, sem necessidade de encaminhamento médico.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o cigarro é a principal causa de morte evitável no mundo, responsável por mais de 8 milhões de óbitos anuais. No Distrito Federal, dados de 2023 apontam que 8,4% da população adulta é fumante — mais de 200 mil pessoas. Apenas em 2024, o Programa de Controle do Tabagismo da SES-DF atendeu 1,7 mil pacientes.
O tratamento segue protocolos do Ministério da Saúde e do Inca e inclui grupos como o da UBS 1 de Santa Maria, criado em maio de 2024, com encontros semanais que abordam alimentação e impactos do tabagismo, contando com equipes multidisciplinares. Os benefícios de abandonar o cigarro aparecem rapidamente, como detalha o pneumologista Paulo Feitosa: “Apenas 20 minutos após o último cigarro, a pressão arterial cai. Em dois a 12 semanas, já há melhora significativa da função pulmonar”.
A orientação médica é fundamental na cessação, segundo a pneumologista Gilda Elizabeth: “A automedicação não é segura. O tratamento é individualizado”. A nutricionista Camila Demienzuck, 24, conseguiu parar sem medicamentos, mas relata abstinência e mal-estar nos primeiros meses.
A arquiteta Tamara Alves, 24 (nome fictício), também lutou contra o vício em diferentes tentativas, e destaca o desafio social: “Para mim, não existe fumar socialmente. Existe parar completamente ou voltar ao vício. Reconhecer isso tem sido fundamental para lidar com o processo”.





