Da redação
A Secretaria de Esportes do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) não sabe o paradeiro de R$ 23 milhões em materiais adquiridos. A discrepância foi descoberta após um inventário exigido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). De acordo com a comissão de inventário, embora as notas de empenho somem R$ 51,5 milhões, apenas R$ 16,7 milhões estavam nos depósitos da secretaria. O órgão conseguiu identificar o destino de mais R$ 11,5 milhões em materiais doados, mas R$ 23 milhões seguem sem explicação.
A secretaria informou à Folha que determinou a implementação de medidas aprimoradas para controle e rastreamento do patrimônio, reafirmando compromisso com a transparência. Um relatório de análise preliminar está em produção para subsidiar a instauração de sindicância interna.
Para o professor Vitor Schirato, da USP, a abertura imediata de sindicância seria o procedimento correto diante da diferença milionária. Ele destacou que tais processos servem para esclarecer fatos, e não necessariamente punir servidores.
Em 2025, o TCE-SP apontou divergências no saldo do estoque apresentado pela secretaria e o registrado no Siafem. A fiscalização do tribunal destacou ainda a ausência de um controle rigoroso de estoque, em desacordo com a legislação. Após auditoria do TCE em 2023, a então secretária Helena Reis (PSD) instaurou a comissão de inventário, que encontrou má organização e falta de controle nos almoxarifados.
Após tentativas de regularizar a situação e a adoção de providências internas, parte do valor desaparecido foi justificada como doações para escolas, entidades, municípios e competições. No início de 2026, José Ribeiro Lemos Junior e Marcelo Nanya, executivos da secretaria, foram exonerados, em meio à pressão por mais apurações sobre o sumiço dos materiais.






