Da redação
A Receita Federal investiga possíveis quebras de sigilo envolvendo cerca de 100 pessoas ligadas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares, incluindo pais, filhos, irmãos e cônjuges dos dez magistrados da corte. O rastreamento, solicitado pelo ministro Alexandre de Moraes, envolve cerca de 8.000 procedimentos de checagem, de acordo com fontes ouvidas pela Folha sob anonimato.
O processo, mantido sob sigilo judicial, utiliza dados de 80 sistemas diferentes e os relatórios já finalizados estão sendo enviados diretamente a Moraes. A Receita Federal não comenta demandas judiciais por questões de sigilo tributário e judicial, afirmando que apenas o STF pode autorizar qualquer divulgação. O gabinete de Moraes também não se manifestou sobre o assunto.
Esta movimentação ocorre em meio à crise institucional desencadeada pela quebra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, que levantou suspeitas de vazamento de informações sigilosas. O episódio ampliou o conflito entre STF e Polícia Federal (PF) após acusações de investigação ilegal de ministros pela PF, e críticas de investigadores a decisões do então relator Dias Toffoli, apontadas como entraves à apuração.
Alexandre de Moraes solicitou a análise da Receita em janeiro, após surgirem informações ligando familiares seus e de Toffoli ao Banco Master, alvo de diversas investigações de fraude. A PF, porém, não participa dessa verificação de possível vazamento neste momento.
A crise se agravou na semana passada com a entrega de um relatório da PF ao presidente do STF, Edson Fachin, contendo mensagens entre Daniel Vorcaro e seu cunhado sobre pagamentos à Maridt, empresa da qual Toffoli é sócio. Toffoli deixou a relatoria do caso após pressão crescente, especialmente após denúncias sobre suas conexões com o resort Tayayá e o Banco Master.








