Da redação
Um levantamento do Projeto Brief apontou que menções ao Senado como órgão capaz de destituir ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) aumentaram 85% nas redes bolsonaristas em um ano, superando 30 milhões de registros. As publicações, em maioria feitas por políticos de direita e extrema direita, descrevem o Senado como uma instituição comprometida, enquanto o STF é acusado de exceder suas competências.
Segundo o estudo, os bolsonaristas articulam para eleger uma maioria no Senado visando confrontar o ministro Alexandre de Moraes, relator da ação que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. Em outubro, São Paulo escolherá dois novos senadores, com pré-candidatos como Guilherme Derrite, Simone Tebet e Marina Silva disputando as vagas.
A pesquisa analisou anúncios pagos na Biblioteca de Anúncios da Meta de 1º a 31 de janeiro deste ano, identificando 890 anúncios políticos relacionados ao Senado. Entre os patrocinadores estão parlamentares, ex-parlamentares, partidos, advogados, influenciadores e podcasts regionais. Candidatos como Bibo Nunes (PL-RS) e Carlos Portinho (PL-RJ) impulsionaram postagens com valores que vão de menos de R$ 100 até R$ 1,5 mil.
De acordo com a pesquisadora Sofia Azevedo, a disputa política pelo controle do Senado iniciou-se antes mesmo do calendário eleitoral oficial e é vista como crucial para restabelecer o equilíbrio entre os Poderes. As postagens apresentam uma narrativa de omissão do Senado e invasão de competências pelo STF, com as eleições de 2026 consideradas determinantes.
O levantamento mostra que a estratégia é uniforme entre diferentes estados e perfis, moldando a percepção do Senado como o principal campo de batalha política do Brasil, sem pedir votos diretamente, mas preparando o eleitorado para a disputa eleitoral de 2026.





