Por Alex Blau Blau
Sandro Avelar afirma que forças de segurança realizam prisões sucessivas, mas defende mudanças na legislação para impedir que criminosos reincidentes continuem praticando os mesmos delitos
O crescimento da população em situação de rua e a reincidência em crimes patrimoniais foram apontados pelo candidato à Câmara dos Deputados e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Sandro Avelar, como questões que exigem uma resposta que vá além da atuação policial. O assunto foi abordado durante o debate com os candidatos ao Governo do Distrito Federal realizado na terça-feira, 1º de setembro, no qual Avelar esteve ao lado da governadora Celina Leão.
Ao comentar o cenário observado nas ruas da capital, o ex-secretário afirmou que o problema não pode ser atribuído exclusivamente às forças de segurança.
“Eu acho que todos nós estamos vendo a situação da população de rua, esse tipo de situação que a gente tem vivido aqui no Distrito Federal. O Distrito Federal é um polo que acaba atraindo muita gente de fora. Isso é público, é notório”, afirmou.
Para Avelar, reconhecer a complexidade do problema é fundamental para buscar soluções.
“Todos nós também haveremos de reconhecer que a gente não consegue resolver isso só com as forças de segurança pública”, declarou.
Um dos principais pontos levantados pelo ex-secretário foi a reincidência criminal. Avelar afirmou que existem pessoas detidas repetidas vezes pela prática de furtos e que retornam às ruas após passarem pelos procedimentos policiais.
“A grande maioria dessas pessoas que estão cometendo furtos já foi presa cinco, dez, vinte, trinta vezes. E eu não estou falando aqui um número como metáfora. Não é nenhum exagero, não é nenhuma hipérbole. São números reais”, disse.
Segundo Avelar, há casos de sucessivas prisões que terminam com o retorno do suspeito às ruas.
“São pessoas que já foram presas trinta vezes pela Polícia Militar, foram levadas à delegacia da Polícia Civil, voltaram às ruas e continuam aí”, afirmou.
Diante desse cenário, o candidato defendeu alterações na legislação e afirmou que a solução não pode ser cobrada exclusivamente das forças policiais.
“Se a gente não tiver essa consciência de que é preciso fazer mudanças, inclusive mudanças legislativas, e continuar achando que isso é responsabilidade tão somente da Polícia Militar, da Polícia Civil ou das forças de segurança, a gente não vai conseguir evoluir”, avaliou Avelar.
O ex-secretário também questionou as regras que possibilitam o retorno de reincidentes às ruas.
“Não se pode negar que a segurança pública está atuando, prendendo essas pessoas, que voltam por força de decisões judiciais, que, por outro lado, são tomadas a partir de uma lei que é absolutamente frágil”, declarou.
Avelar ressaltou ainda que a sensação de insegurança da população está fortemente relacionada aos crimes patrimoniais.
“Eu acho que ninguém sai de casa achando que vai ser vítima de um homicídio, mas todos saem de casa com medo de ser vítima de furto”, afirmou.
Para o ex-secretário, a repetição desses delitos por pessoas com diversas passagens policiais reforça a necessidade de mudanças.
“É triste saber que, caso esse furto aconteça, poderá ser praticado por alguém que já cometeu cinco, dez, vinte, trinta vezes esse mesmo crime e continua em liberdade”, concluiu Avelar.




