Da redação
Um estudo do Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nacab) concluiu que, devido às enchentes de 2020 e 2022, os rejeitos da barragem da mina Córrego do Feijão, da Vale, atingiram pelo menos 2.442 hectares da região de Brumadinho (MG). Os pesquisadores analisaram imagens públicas de satélite para identificar aumentos de óxido de ferro, argila e vegetação suprimida na área afetada, concentrando-se no médio Paraopeba, abrangendo dez municípios.
O estudo, em fase de pré-print e sob análise avançada da revista Remote Sensing Applications Society and Environment, buscou quatro “anomalias” como indícios de rejeitos: alta incidência de argila, redução de vegetação e dois tipos de ferro. A sobreposição das quatro anomalias, principal evidência dos rejeitos da Vale, cobre 17,1% da área estudada. Segundo os autores, a estimativa é conservadora e pode ser maior caso duas ou três anomalias coincidam.
Em resposta, a diretora de reparação da Vale, Gleuza Jesué, afirmou à Folha que dados históricos já indicavam presença de metais pesados devido a descartes ilegais anteriores ao rompimento. Ela defende que o rejeito da mineradora é inerte e atóxico, estando “abaixo dos padrões legais”. A empresa sustentou, em nota, que análises realizadas após as enchentes de 2022 não identificaram semelhança dos sedimentos com os rejeitos da barragem.
O levantamento do Nacab foi confirmado por relatos de moradores, como a produtora rural Mona Lisa Cardoso, que afirma que 94% de sua fazenda (54 hectares) está contaminada. Segundo Mona Lisa, enchentes de 2020 e 2022 danificaram plantações e deixaram o solo impermeável, forçando o confinamento do gado.
A Vale diz que manterá o fornecimento de insumos a produtores até que a captação do Paraopeba seja liberada para agricultura. A autorização depende de órgãos ambientais do Governo de Minas Gerais.





