Da redação
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou nesta terça-feira, durante a Cúpula Mundial sobre Hepatite em Genebra, um relatório apontando progressos globais no combate à hepatite viral, mas destacou que a doença ainda representa desafio significativo. Em 2024, hepatites B e C foram responsáveis por 1,34 milhão de mortes em todo o mundo.
Segundo o Relatório Global de Hepatite 2026, desde 2015 houve queda de 32% nas novas infecções por hepatite B, e redução de 12% nas mortes por hepatite C. A prevalência da hepatite B em crianças menores de cinco anos diminuiu para 0,6%. Brasil e Portugal superaram a meta de 0,1% prevista para 2030.
O Brasil aparece como destaque, sendo citado entre países que aceleram o progresso nacional rumo à eliminação das hepatites, com “resultados impressionantes”, conforme a OMS. Entre os avanços, está a ampliação da vacinação contra hepatite B: a cobertura entre recém-nascidos e lactentes aumentou de 77% em 2023 para 98% em 2025.
O Ministério da Saúde distribuiu cerca de 14 milhões de testes rápidos para hepatite C e 10 milhões para hepatite B em 2025. Entre 2014 e 2024, a taxa de mortalidade por hepatite B caiu 50% no Brasil, atingindo 0,1 óbito por 100 mil habitantes; a de hepatite C caiu 60%, chegando a 0,4 por 100 mil.
Apesar do progresso, o ritmo global ainda é considerado insuficiente para alcançar a eliminação da hepatite até 2030. Segundo Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, “eliminar a hepatite não é um sonho distante”, mas ainda existem desigualdades de acesso, sobretudo por estigma e fragilidade dos sistemas de saúde. O relatório destaca Angola como único país lusófono no grupo com maior número de infectados.
Em 2024, estimativas da OMS apontam 287 milhões de pessoas com infecção crônica por hepatite B ou C. Apenas 5% dos portadores de hepatite B, e 20% dos de hepatite C, receberam tratamento. A vacina contra hepatite B tem eficácia acima de 95%, porém apenas 17% dos recém-nascidos africanos recebem a dose ao nascer, conforme o relatório.






