Início Mundo Relatório da ONU aponta desafios econômicos na transição energética na Ásia-Pacífico

Relatório da ONU aponta desafios econômicos na transição energética na Ásia-Pacífico


Da redação

O recente bloqueio no Estreito de Ormuz, responsável por 20% a 30% do transporte global de petróleo, gás e fertilizantes, evidenciou impactos negativos da dependência de combustíveis fósseis, segundo análise da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico (Escap). O estudo destaca desafios logísticos, geopolíticos e macroeconômicos agravados por medidas protecionistas no comércio internacional.

Timor-Leste é classificado pela comissão como País Menos Avançado e Pequeno Estado Insular em Desenvolvimento, com restrições fiscais, institucionais e tecnológicas que limitam o financiamento de infraestrutura verde. A inflação nos países menos desenvolvidos da Ásia e Pacífico tende a aumentar devido à volatilidade nos preços de alimentos e energia, afetando o poder de compra e dificultando a geração de empregos formais em países com populações jovens, como Timor-Leste.

Conforme a Escap, economias em desenvolvimento da região desaceleraram o crescimento para 4,6% em 2025, com projeção de 4% no ano seguinte. Já os países menos desenvolvidos tiveram crescimento estagnado em 3,1%, abaixo da meta de 7% definida pela ONU. A transição para energias renováveis exige cooperação internacional, transferência de tecnologia e subsídios para ampliar o acesso à energia sustentável, sem comprometer as finanças públicas das economias mais vulneráveis.

O fechamento de indústrias fósseis pode gerar desemprego e migração em áreas mineradoras, enquanto os empregos “verdes” surgem vagarosamente e demandam novas qualificações. De acordo com a comissão, instrumentos como precificação de carbono elevam custos no curto prazo, mas negligenciar a transição pode ser ainda mais oneroso. A Escap indica que países com baixo investimento em carvão e petróleo avançam nas energias renováveis com menor risco, enquanto economias dependentes enfrentam desafios mais complexos e exigem planejamento para reduzir impactos sociais.