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Renan Santos adota tom moderado e dialoga com eleitores de esquerda nas redes


Da redação

Renan Santos, líder do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato derrotado no primeiro turno da eleição presidencial, passou a se aproximar de eleitores de esquerda nas redes sociais após o fortalecimento de Flávio Bolsonaro (PL) e do partido do senador. Santos propôs abandonar a retórica agressiva e afirmou não disputar mais o espaço da direita com os bolsonaristas. Em live, disse: “Não vai ter esse papo de que existe direita não bolsonarista” e reforçou: “Eu não sou Bolsonaro, então como eu posso ser direita?”

Segundo o próprio Renan Santos, houve aumento no interesse de seguidores de esquerda após sua participação em debates e críticas ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O candidato relatou interações com públicos diversos, inclusive com elogios de Anitta, que compartilhou conteúdo dele e passou a segui-lo no Instagram. Em entrevistas, afirmou estar aberto a conversar com pessoas de esquerda dispostas a rever o que considera “pontos exagerados” e reconheceu ter “passado do tom” ao adotar posturas restritas à “bolha” do MBL.

Santos declarou que não apoiará nenhum candidato no segundo turno e orientou seus eleitores a decidirem livremente o voto. Criticou deputados eleitos Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) por ataques aos apoiadores do MBL e afirmou que considera esgotada a tentativa de dialogar com o eleitorado de direita distante dos Bolsonaro. O ex-candidato afirmou ter se reunido com embaixadores de países árabes em Brasília para discutir temas ligados ao MBL e também manifestou interesse em ampliar o debate sobre meio ambiente.

Renan Santos ficou em quarto lugar na corrida presidencial, com 2,24% dos votos. Kim Kataguiri (Missão-SP), aliado do grupo, chegou a prometer renúncia caso a campanha atingisse 3%, mas recuou após o resultado. Segundo o cientista político Marco Antonio Teixeira, da Fundação Getulio Vargas, o reposicionamento do MBL reflete o distanciamento do espaço liberal pelo avanço do bolsonarismo, e cita o caso do ex-deputado Arthur do Val, cassado em 2022 após divulgação de áudios sexistas, como exemplo dos prejuízos políticos da retórica agressiva do movimento.