Da redação
A capacidade de resistência do Irã e as retaliações contra aliados dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, além dos impactos no comércio do petróleo, têm pressionado a Casa Branca a buscar o fim do conflito sem concretizar o objetivo de “mudança de regime” em Teerã, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil. O cientista político Ali Ramos afirmou que o Irã afetou sistemas de radares americanos no Oriente Médio, comprometendo a interceptação de mísseis e provocando prejuízos à cadeia global de petróleo.
Ramos destacou que “os EUA não têm como derrubar o governo iraniano sem invasão terrestre, o que traria baixas gigantescas. A topografia do Irã inviabiliza qualquer ação rápida”. Imagens de satélite e vídeos divulgados pelo New York Times mostram radares atingidos no Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Segundo Ramos, a redução da capacidade de alerta ampliou as baixas e permitiu a entrada frequente de mísseis em Israel, dificultando sua interceptação.
Aliados dos EUA no Golfo, como o Catar, passaram a pedir o fim do conflito. “Chegar rapidamente à mesa de negociações e suspender os ataques serviria aos interesses dos povos da região”, declarou Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, segundo a Al Jazeera.
O professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, afirmou que Washington esperava uma rápida troca de regime iraniano, mas o Irã demonstrou resiliência. O aumento dos preços do petróleo levou o presidente Donald Trump a afrouxar sanções contra a Rússia. “Isso vai fazendo com que os EUA mudem talvez o foco atual de uma guerra completa”, analisou.
A divisão entre EUA e Israel também se evidencia. Israel, segundo Pires, deve resistir ao fim do conflito para enfraquecer o Irã. O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, disse nesta terça-feira (10) que “não estamos buscando uma guerra sem fim”. Para Ramos, a sobrevivência do regime iraniano representa “uma derrota para a Casa Branca” e pode redefinir o equilíbrio de segurança regional.








