Da redação
O arte-finalista Apolo Carvalho da Silva, de 28 anos, réu pelos ataques de 8 de janeiro e com mandado de prisão em aberto, conseguiu emitir um novo passaporte brasileiro no México, burlando determinações do STF, da Polícia Federal e do Itamaraty. Mesmo após ter o passaporte anterior apreendido e ordens judiciais para impedir a obtenção de novos documentos, Apolo utilizou fraude e falhas nos sistemas e na comunicação dos órgãos para obter o novo documento. Segundo o UOL, o Itamaraty só cancelou o passaporte no fim de janeiro, após ser questionado pela reportagem.
Com o novo passaporte, Apolo embarcou do México para a Espanha, onde solicitou “proteção internacional” ao governo espanhol, na expectativa de obter asilo, como já ocorreu com outros investigados bolsonaristas. A primeira audiência do caso está marcada para 16 de abril em Almería, e ele será acompanhado pelo advogado Fábio Pagnozzi, defensor da ex-deputada Carla Zambelli.
O Itamaraty admitiu falha e informou que revisa seus procedimentos de emissão de documentos no exterior para evitar novos erros. A Polícia Federal negou responsabilidade, afirmando que não participa da emissão de passaportes fora do Brasil, responsabilidade exclusiva das unidades consulares do Itamaraty.
Apolo já acumula três fugas internacionais desde os ataques, passando por Argentina, Peru, Colômbia, México e agora Espanha. Em setembro de 2025, ele conseguiu o novo passaporte alegando perda do anterior, apresentou documentos e forneceu endereço falso no consulado da Cidade do México, onde a ordem judicial do STF de 16 de março de 2023 para bloqueio dos documentos não foi observada.
Réu por incitação ao crime e associação criminosa, Apolo foi flagrado em vídeos durante as invasões de 8 de janeiro, mas responde apenas a esses crimes, que prevêem penas de até dois anos. Ele rejeitou acordo com o Ministério Público em 2024 e agora aguarda decisão sobre seu pedido de proteção internacional na Espanha.






