Da redação
A Rodoviária do Plano Piloto, o terminal mais movimentado do Distrito Federal, completa em junho um ano sob gestão privada da Concessionária Catedral. Cerca de 700 mil pessoas circulam diariamente pelo local, que passa por embate entre promessas de modernização da infraestrutura e denúncias de restrição ao espaço público.
A concessão foi firmada com a expectativa de revitalizar a estrutura, mantendo a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob-DF) na fiscalização. No entanto, avaliações divergem. Pesquisa do Instituto Opinião, feita entre janeiro e fevereiro, aponta que a aprovação dos usuários subiu de 45,6% para 86,1%, citando a modernização de 12 escadas rolantes e elevadores, recuperação de pilares e novo centro de monitoramento.
Por outro lado, movimentos sociais como o Movimento Passe Livre (MPL) criticam a privatização, afirmando que houve “espoliação do espaço público”, com fechamento de estacionamentos para a iniciativa privada, além de proibição de eventos e manifestações culturais. Segundo Paique Santarém, militante do MPL, “todos os processos de expulsão e de submeter a mobilidade ao lucro estão acontecendo”.
A atuação da segurança no terminal gera relatos contraditórios. Enquanto alguns passageiros relatam sensação de maior tranquilidade pelo videomonitoramento, outros apontam abordagens consideradas abusivas por parte dos seguranças da concessionária. O deputado distrital Max Maciel (Psol-DF), presidente da Comissão de Transporte e Mobilidade Urbana (CTMU), afirma que a comissão acompanha “denúncias de assédio contra trabalhadores e cidadãos”.
Segundo o deputado, o terminal perdeu parte de sua função como espaço de livre circulação. Ele relata abordagens a entregadores e ambulantes, além do esvaziamento de feirantes, apontado também por Santarém. A presença de seguranças armados é vista por críticos como fator que contribui para “nível de repressão que aumentou os níveis de violência”, especialmente sobre populações vulneráveis.
No campo financeiro, há preocupação com a possível transferência da “taxa de acostagem” cobrada das empresas de ônibus para o consumidor. Maciel sinaliza que a comissão acompanha o impacto sobre as tarifas do transporte público. A Semob-DF destaca o rigor da fiscalização do contrato e afirma que o terminal integra novos serviços, mantendo canais abertos para críticas da população.





