Rodrigo Chaves de Mello: Eleições 2026 e as variáveis preliminares


Da redação

As eleições nacionais de 2026 devem ser marcadas por intensas oscilações e incertezas, segundo avaliação do cientista social Rodrigo Chaves de Mello, professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú e pesquisador do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso). Ele destaca que até a divulgação dos resultados das urnas, o cenário será composto por uma “montanha-russa de acontecimentos, notícias e especulações”.

Nesta análise inicial, Chaves de Mello aponta três variáveis preliminares de grande relevância para o processo eleitoral, as quais considera particularmente desafiadoras por transcenderem a influência direta dos candidatos. A primeira delas envolve os impactos da política externa do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na América Latina. Segundo ele, com “sanções econômicas, pressão militar e deslegitimação diplomática”, essa política pode reativar clivagens ideológicas e enfraquecer soberanias nacionais. O cientista social ressalta que, após intervenções em Honduras, Argentina e Chile, e ações de desestabilização na Colômbia e na Venezuela, é pouco crível que Trump ignore as eleições do Brasil, maior potência da região.

A segunda variável de destaque está relacionada à esfera comunicacional. Chaves de Mello alerta que a desregulamentação das redes sociais, combinada ao uso intensivo de inteligências artificiais, cria um novo cenário de desinformação. Segundo ele, “não se trata apenas de fake news, mas da industrialização de realidades paralelas”, com conteúdos sintéticos capazes de “induzir ao erro, corroer a confiança pública e fragmentar o espaço comum do debate”.

Por fim, o aspecto institucional foi lembrado, com referência à atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, quando o órgão blindou o sistema e fiscalizou o ambiente competitivo das eleições. O cientista social propõe, em sua coluna, discutir como essas variáveis incidirão sobre o tabuleiro eleitoral nos próximos meses.