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Roubo de celulares atinge 14 milhões de brasileiros e expõe crise de segurança


Da redação

Eduardo Metzker, programador de 29 anos, foi abordado enquanto pilotava uma moto no Rio de Janeiro e teve um celular e a senha levados após um dos motociclistas apontar uma arma para sua cabeça. Segundo Metzker, os criminosos retiraram até R$ 80 mil de seus aplicativos bancários, principalmente via crédito. No Rio, outras vítimas relatam situação semelhante, como a dentista Caroline Lo Bianco, que estava grávida de sete meses quando teve o aparelho arrancado de suas mãos pela janela de um aplicativo de transporte. Luiz Fernando Bugiga, promotor do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, afirma que operações recentes revelaram a atuação de quatro núcleos criminosos na cadeia do roubo e revenda de celulares.

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o roubo de celulares ganhou destaque como símbolo da crise de segurança no país, especialmente em cidades como o Rio de Janeiro. O relatório anual da entidade apontou que cerca de 14 milhões de pessoas foram vítimas desse crime nos 12 meses anteriores, mas apenas 830 mil aparelhos foram registrados como roubados no mesmo período com base em dados oficiais. Leonardo Silva, coordenador do FBSP, afirmou que o interesse das quadrilhas passou dos aparelhos para os dados neles armazenados. Para Caroline Lo Bianco, que também bloqueou cartões após o crime, os ladrões conseguiram transferir cerca de R$ 3.650 de uma conta digital e tentaram comprar um console de videogame de R$ 5.213, transação depois bloqueada.

Às vésperas das eleições, tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) prometeram ações severas para combater o crime. Bolsonaro propõe quadruplicar penas de prisão, enquanto Lula declara objetivo de “roubo do telefone zero”. O tema segurança lidera as preocupações do eleitorado, conforme apontado por pesquisas. Mesmo assim, Metzker diz não acreditar em promessas de candidatos: “Eles podem falar o que eles quiserem, eu não vou acreditar”.

O FBSP estima que 30% dos brasileiros, cerca de 65 milhões de pessoas, adotaram a estratégia de ter dois celulares, sendo um “celular do ladrão” apenas para uso externo. O porteiro Joel da Silva, morador de Ipanema, relatou ter ficado um mês sem aparelho ao ser assaltado e já presenciou quatro roubos em seu local de trabalho. Lo Bianco, vítima também de outro assalto há alguns anos, afirma temer pela segurança e cogita deixar a cidade.