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Rússia pode estar cometendo crimes contra humanidade na Ucrânia, diz Comissão

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Da redação

A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia declarou que autoridades russas cometeram crimes contra a humanidade ao deportar e transferir à força crianças ucranianas, além de promover seu desaparecimento forçado. O relatório, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, confirma que mais de 1.200 crianças de cinco regiões da Ucrânia foram deportadas para a Rússia ou áreas ocupadas pelas forças russas desde o início da invasão, em 2022.

Segundo os investigadores, 80% dessas crianças não retornaram, mesmo quatro anos após a deportação, contrariando o direito internacional humanitário. O documento afirma que as autoridades russas executaram uma política deliberada de remover menores, falharam em informar seus pais sobre o paradeiro dos filhos e colocaram as crianças em famílias ou instituições em 21 regiões da Rússia, além de permitir sua adoção sem consentimento das famílias ucranianas.

Ainda conforme o relatório, a comissão identifica o crime de guerra de atraso injustificável na repatriação dos civis e ressalta que tribunais russos realizaram julgamentos baseados em provas fabricadas, com presunção de culpa, em áreas ocupadas. Além disso, foram documentados casos de violência sexual cometidos por forças russas, incluindo o estupro de uma menina de 13 anos e a gravidez de outra vítima.

A comissão também investigou o aliciamento e envio para a linha de frente de combatentes estrangeiros, enganados com promessas falsas. Entre 85 soldados desertores entrevistados, foram relatadas execuções, espancamentos e tortura, além de ordens arbitrárias dos comandantes, evidenciando desprezo pela vida dos militares e civis.

Em relação ao governo ucraniano, o relatório destaca problemas legais envolvendo a mobilização militar, como detenções arbitrárias, ausência de acesso a advogados, exames médicos precipitados e relatos de violência contra objetores de consciência forçados ao recrutamento militar.