Da redação
Altas temperaturas, períodos prolongados de seca e mudanças no uso do solo estão ampliando a ameaça de incêndios florestais em áreas de clima temperado na Europa, segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais. Mais de 600 mil hectares foram queimados na União Europeia neste ano, número inferior ao de 2025, porém acima da média das últimas duas décadas.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o agravamento do fenômeno El Niño pode intensificar ainda mais as queimadas. Especialistas da agência afirmam que o enfrentamento dos incêndios deve ser encarado como uma política de adaptação climática. O pesquisador Will Hayes, do Centro Leverhulme para Incêndios Florestais, Meio Ambiente e Sociedade, observa que áreas tradicionalmente mais úmidas e frias estão enfrentando “janelas mais frequentes de vegetação seca”, aumentando as chances de propagação do fogo.
Países como França e Espanha seguem liderando em número de focos, porém regiões consideradas menos vulneráveis, como as Ilhas Britânicas e o sul da Escandinávia, passam a registrar episódios inéditos. Na Escócia, um incêndio atingiu as montanhas Cairngorms e persistiu no subsolo, exigindo a mobilização de mais de 500 bombeiros e vários recursos de apoio. Nove dias após o início, ventos fortes deslocaram as chamas em direção à Nethy Bridge, resultando na evacuação de parte dos cerca de 600 habitantes; a operação se estendeu por mais de um mês.
Segundo a OMS, fumaça, calor extremo e danos à infraestrutura representam riscos para a saúde da população, tornando necessária a integração entre políticas ambientais e de saúde pública. Para apoiar governos europeus, a organização realiza oficinas regionais e orienta avaliações nacionais. Chipre e Irlanda já empregaram a metodologia da agência para mapear ondas de calor e queimadas. A gerente Tanja Schmidt afirma que “entender os riscos relacionados ao clima permite priorizar ações para proteger comunidades vulneráveis e apoiar respostas dos sistemas de saúde”.





